Stuttgart - Mano Menezes é um defensor do equilíbrio entre os setores em um time de futebol. Mas completa um ano de seleção brasileira especialmente descontente com o ataque e a defesa. O primeiro por não fazer gols: foram apenas 18 em 13 partidas. E o segundo, por ter começado bem em seu ciclo como técnico do Brasil, mas perdido o rumo a partir da Copa América (dos nove gols sofridos na era Mano, sete foram nos últimos quatro jogos).
Depois da derrota para a Alemanha por 3 a 2, no amistoso da última quarta-feira, Mano reconheceu os problemas. Mas tentou manter um tom de harmonização após detonar os dois setores. ''Eu não acho que um setor seja independente do outro no futebol. A defesa tem de ser ajudada pelo meio-de-campo, este tem de ajudar o ataque, que precisa ajudar na marcação e assim por diante'', definiu o treinador. Apesar do discurso, os problemas setorizados já o afligem.
O treinador não admite, mas a defesa é sua maior preocupação no momento, até porque ele disse acreditar que ''as finalizações, historicamente, nunca foram o problema do futebol brasileiro e o que está ocorrendo é momentâneo''. Só que evitar gols e sufoco do adversário tem sido um grande problema para Mano.
O posicionamento dos zagueiros de área não é o ideal. Às vezes, estão distantes. Em outras ocasiões, embolam. Os volantes ficam sobrecarregados, até porque têm de cobrir os frágeis laterais, e os espaços na cabeça de área, por onde os adversários têm trabalhado com facilidade, são inevitáveis.
Os laterais são um caso à parte, pois têm marcado mal e apoiado também de maneira ineficiente. A função defensiva é a que mais dá dor de cabeça, principalmente do lado esquerdo, pois André Santos tem se revelado uma aposta muito arriscada.
Mano colocou Marcelo de ''castigo'', mas começa a pensar em perdoá-lo. Assim, o lateral-esquerdo do Real Madrid pode aparecer na convocação do dia 18 de agosto para o jogo contra o Egito.
O ataque também deve ter novidades. A paciência de Mano com Alexandre Pato está acabando e ele deve estudar outras opções para o setor.
É possível até que Ronaldinho Gaúcho, se continuar jogando bem no Flamengo, ganhe uma vaga na seleção, com função ofensiva. Mas há dois problemas: como posicionar Ronaldinho, Neymar e Robinho, já que Mano gosta de adotar o 4-3-2-1 como sistema; e o lobby que já se faz no Rio pró-convocação do astro flamenguista não agrada ao treinador.
Mano fala da defesa e do ataque, mas não seria de estranhar se criticasse o meio-de-campo, principalmente no momento de criar jogadas. O meia Paulo Henrique Ganso, em quem o treinador tanto aposta, não tem rendido. E parece não haver opções que o satisfaça para substituí-lo. (A.L./A.E.)

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