Belém - O técnico Luiz Alberto de Oliveira, que soma em seu currículo seis medalhas conquistadas em Olimpíadas e Mundiais, com atletas como Joaquim Cruz, Zequinha Barbosa e Sanderlei Parrela, foi morar no Catar.
Morar? ''Não tenho parado. Na verdade, não tenho residência fixa'', afirma o técnico, que esteve em Belém, no Pará, para o Grande Prêmio Brasil de Atletismo, no fim de semana, mas hoje já está na Itália com o grupo de atletas do Catar. O clima, no país não favorece a permanência da equipe o tempo todo em Doha, explica Luiz Alberto, observando que uma poeira suspensa sempre está no ar na capital, o que prejudica os treinamentos.
Assim, desde janeiro e até setembro, quando termina a temporada, além de várias fases de treinos em Doha, o time terá treinado no Quênia, Grécia, Itália, St. Moritz, Bélgica, Helsinque, Coréia e Mônaco. Luiz disse que o ''príncipe do país gosta muito de esportes e até construiu um prédio de seis andares para ser a sede do Comitê Olímpico nacional.'' Contou que o país tem um estádio de atletismo, cujo teto fecha, e é climatizado. ''Não faltam recursos e estrutura física.''
Apesar de tudo, Luiz Alberto não está feliz. Deixa claro as mágoas que acumula com dirigentes e colegas do atletismo brasileiro. Disse que gostaria de ter voltado ao País, mas que não obteve apoio para isso.
''Desde que o meu projeto em Manaus acabou (em 2003), meu atletas ficaram jogados. O Sanderlei está sem contrato. Aqui, no Brasil, a única coisa que recebe pelas medalhas que ganha é parabéns.'' Luiz reclama muito e dispara críticas afirma, inclusive, que não teve apoio do presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Roberto Gesta de Melo, para o projeto de criar uma equipe em Fortaleza, no Ceará.
Mas seus ex-atletas como Joaquim Cruz e Agberto Guimarães, acham que o técnico, que sempre trabalhou nos Estados Unidos, antes de passar dois anos em Manaus, teria de se adequar à realidade brasileira num processo de transição. ''Ele briga muito, tem de ter paciência, conversar...'', comenta Joaquim.

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