A expressão ‘‘obediência devida’’ saiu das páginas políticas da imprensa argentina para o noticiário esportivo. Com ela, explica-se o comportamento dos jogadores da seleção que enfrenta hoje a Jamaica, pelo Grupo H da Copa. Frases como ‘‘fiz o que o técnico mandou’’ (Sebastián Verón), ‘‘faça essa pergunta para Passarella’’ (Javier Zanetti) ou ‘‘tenho que agradar ao treinador, não à torcida’’ (Nelson Vivas) são recorrentes entre os jogadores para justificar suas atuações. Isso se repetiu depois da partida de estréia da Argentina, um opaco 1 a 0 sobre o Japão.
A expressão ‘‘obediência devida’’ foi criada durante os julgamentos dos militares acusados de assassinato e tortura durante o último regime totalitário do país (1976-1983). Com a argumentação de que só cumpriam ordens superiores, militares de baixa patente foram inocentados das mortes. Descontada a distância entre os dois fatos, os subalternos de agora são os 22 convocados pelo centralizador técnico do selecionado nacional, Daniel Passarella.
Uma vitória garante a classificação argentina para as oitavas-de-final e também significa a eliminação da Jamaica, equipe dirigida pelo brasileiro Renê Simões - que insiste que sua equipe se classificará, e em primeiro lugar, na chave. Não deve ser desta vez que a Argentina começará jogando o meia Marcelo Gallardo, tido como o único, além de Ariel Ortega, que pode dar criatividade ao disciplinado time. ‘‘Meus jogadores devem conhecer de cor os esquemas táticos da equipe. Além disso, têm de ter seriedade, preparo, humildade e sacrifício’’, sentencia o treinador.

FICHA TÉCNICAFrance PressCabeça feitaVerón no treino: Passarella impõe lema militar entre os jogadoresAgência Folha

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