Técnico quer desacelerar o time jamaicano
Curitiba - Além da melhor organização que René Simões afirma ter encontrado na estrutura do futebol jamaicano ao reasumir o comando da seleção do país, o treinador garante que os problemas de indisciplina dos atletas são infinitamente menores. ''Fora de campo, hoje eles não dão nenhum tipo de trabalho'', afirma. O desafio agora é fazer com que, dentro das quatro linhas, o time aprenda a jogar em um ritmo mais cadenciado.
Quando assumiu em 1994, antes mesmo de trabalhar a parte tática da equipe, Simões teve que impor disciplina não só aos jogadores. ''Naquela época, eles não sabiam o que o futebol podia dar para eles e o que era futebol profissional. Isso acontecia também com a federação, com os dirigentes'', diz.
Em uma de suas primeiras viagens naquela época, acompanhando a seleção Sub-17 que jogaria em El Salvador, o técnico passou por uma situação constrangedora. ''Quando chegamos, descobri que cinco pessoas da delegação não pagaram a comida no avião. Dos 18 garotos, 17 nunca tinham viajado de avião, mas para surpresa minha quem se adiantou foi o chefe da delegação, que me disse: 'Não fala pra ninguém não, mas eu sou um dos cinco, me diz quanto é'. Isso o chefe da delegação, que era o presidente de uma federação lá, para você ver o nível que era o futebol na Jamaica'', lembra Simões.
Agora, com a casa organizada, Simões tem mais tempo para se preocupar com o desempenho do time. Apesar de afirmar que os jogadores estão mais disciplinados taticamente, o treinador diz que eles ainda têm muito a aprender, principalmente sobre as variações de ritmo de jogo que devem ser impostas durante uma partida. Um dos principais desafios é diminuir a velocidade do time.
''É um time que ainda joga muito rápido, erra muito passe e vai ter que aprender que tem horas que você tem que jogar com calma, com paciência'', diz. ''O futebol na América Central é mais cadenciado, muito próximo do sul-americano. É exatamente isso que eu quero que eles peguem aqui no Brasil, essa forma de modificar o ritmo do jogo através do passe, mas com um passe de qualidade'', conclui. (R.L.)





