Agência Estado
Separar os jogadores que ‘‘servem ou não servem’’ para defender a seleção brasileira masculina de basquete. O técnico Hélio Rubens Garcia desembarcou, ontem, em Winnipeg, dizendo que está disposto a dar uma cartada decisiva para mudar o quadro de baixa qualidade técnica e apatia que marcou a participação e o sexto lugar do Brasil no Pré-Olímpico de San Juan. Hélio vai adotar, a partir desses Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, um sistema de avaliação individual usado pelo basquete dos Estados Unidos. Por um padrão estatístico é possível classificar os jogadores como comum, bom, excelente e fenômeno. O técnico vai usar esse padrão a partir deste Pan.
O Brasil chegou a Winnipeg depois de confirmar, em Porto Rico, que está fora da Olimpíada de Sidney, no ano que vem. Será a segunda vez, desde os Jogos de Berlim, em 1936, em 14 edições olímpicas, que o Brasil não consegue vaga - o basquete também não disputou a Olimpíada de Montreal, em 1976.
‘‘Por essa metodologia, um jogador que não me der um rebote a cada três minutos - é óbvio que se essa for a sua função - é apenas comum, em 30 minutos um bom atleta tem de produzir pelo menos sete rebotes’’, afirmou Hélio. ‘‘Se tiver um aproveitamento de 40% nas cestas de três pontos e de 50% nos arremessos de dois é bom, abaixo disso apenas comum’’, exemplificou o treinador. ‘‘Se me der 50% nas de três e 60% nas de dois é excelente.’’ Hélio conhece as limitações do Brasil e, por isso, vai trabalhar visando a atingir o padrão bom.
O objetivo de ‘‘dar uma boa sacudida’’ no padrão irregular, com muitos altos e baixos, de uma geração, como a de Demétrius, Rogério, Josuel e Rato, que sempre viveu à sombra, apenas como complemento de atletas mais talentosos e efetivos, é claro da parte de Hélio Rubens e da comissão técnica, formada por Nilo Guimarães e Ênio Vecchi. Os jogadores, no entanto, serão surpreendidos com a novidade no Canadá.
‘‘Eles vão ser informados sobre isso aqui’’, ressaltou Hélio Rubens. ‘‘Vão ter de assumir a efetividade que ainda não têm e quem obtiver nota ruim não serve mesmo para defender a seleção.’’
O Brasil ficou fora da Olimpíada de Sidney ao terminar o Pré-Olímpico em sexto lugar. Seria difícil mesmo vencer Canadá ou os Estados Unidos, mas um resultado que foi um verdadeiro vexame, como a derrota para a Venezuela com desvantagem de 23 pontos, fica difícil de justificar.
‘‘Sabíamos que era difícil, não há dúvida, mas essa alternância entre boas e más apresentações nos tirou a possibilidade de classificação.’’ O técnico pretende ver a frustração de ficar fora da Olimpíada transformada em trabalho. Defendeu o aumento do intercâmbio com países da América do Norte e da Europa para jogadores e árbitros, a continuidade da renovação, com as seleções A e B, aumentando o número de atletas selecionáveis.
Hélio assegurou que o resultado não gerou crise. Disse que já conversou com os dirigentes da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e que não devem haver alterações na comissão técnica. ‘‘Não tem jeito, é um trabalho a longo prazo.’’

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