Técnico fala da 'síndrome do colo'
São Paulo - Por muitos anos, o técnico Larri Passos vivia viajando com jovens tenistas brasileiros, entre seus jogadores que deram certo, como Andrea Vieira, Otávio Della e Gustavo Kuerten, muitos outros também tentaram seguir o mesmo caminho, mas nem todos tiveram condições. Uns por problemas até físicos, como o caso de Marcos 'Bocão' Barbosa, mas outros por culpa do que o treinador define como a ''síndrome do colo''.
''Sempre quis saber se o jogador queria mesmo ser um profissional ou não. Com 14 ou 15 anos é o momento em que vai ter de decidir. Por isso, sempre procurava testar isso, realizando longas viagens'', contou o treinador. ''Nestas viagens, alguns percebiam o quanto é duro estar longe da família e davam sintomas da síndrome do colo''.
Certa vez, um de seus jogadores demonstrava não suportar mais o regime de viagens, hotéis e torneios na Europa. Aproximou-se de Larri e disse ''quero voltar''. Com toda a equipe foram a uma agência de turismo para remarcar o bilhete de volta desse jogador. A surpresa ficou para o fato de a passagem ter restrições e uma mudança significaria mais de US$ 1 de custo. Resultado, o jogador ficou e acabou sendo um bom profissional. Tudo não passou de uma tática de Passos para que o plano de viagem jamais fosse alterado.
As viagens também fizeram parte de histórias divertidas de Otávio Della, que viveu numa época em que havia um grande número de tenistas brasileiros tentando a vida no Exterior. ''Ficar em quatro ou cinco no quarto, com apenas um registrado, era a coisa m ais normal'', disse. Mas um episódio marcou suas aventuras. Ao lado de seu parceiro de duplas, Ricardo Camargo, os dois viajaram 13 horas de trem para um torneio. Iriam enfrentar os franceses Thierry Tulasne e Tarik Benhabilles. Seus adversários eram favoritos, mas Tulasne estava com uma leve lesão. Ao saber que Tato e Camargo tinham viajado tanto para um jogo, fez um proposta: desistiria da partida caso os dois comprassem uma passagem de avião para chegaram em melhores condições no próximo torneio.
''Mesmo machucado o Tulasne e o Benhabilles poderia ganhar fácil da gente. Mas antes do jogo tivemos de mostrar a prova: uma passagem aérea e então seguimos na chave de duplas até as semifinais.'' (A.E.)





