Janaina Tupan Frare
De Londrina
Especial para a Folha
Se um Wanderley Luxemburgo já era bom, imagina dois. É verdade. Eles existem.
Só que um comanda a Seleção Brasileira de Futebol, o outro, uma companhia da Polícia Militar. Se o capitão da PM, Salmem Vieira da Silva, 48 anos, trocar de uniforme com o técnico Wanderley Luxemburgo, 47, vai deixar muita gente confusa. Sem trocar, já levanta dúvidas. ‘‘Será que é o Luxemburgo de farda’’, pergunta João Batista, 41, motorista do Hotel Crystal, onde a Seleção está hospedada.
As diferenças passam despercebidas. São dois centímetros e sete quilos a menos que o técnico Luxemburgo. Mas, segundo o próprio técnico da Seleção Brasileira, dá para substituir um pelo outro que ninguém vai notar a diferença. ‘‘Somos muito parecidos mesmo. Eu só não sabia que eu era tão feio’’, brinca.
A semelhança assustou até mesmo o pessoal da organização do Torneio Pré-Olímpico. ‘‘Para mim, é uma honra parecer com alguém tão ilustre’’, diz o capitão, que foi muito comparado ao técnico Luxemburgo quando os representantes da organização foram até o Batalhão para solicitar o policiamento para a Seleção.
Além da semelhança física, mais um fato curioso: os dois nasceram sob o signo de Touro. Salmem, nasceu no dia 1º de maio, mas um ano antes que o técnico Luxemburgo, que nasceu no dia 10 de maio.
A semelhança no trabalhoestá apenas no fato de serem os ‘manda-chuvas’ do grupo. Segundo Luxemburgo, a profissão de policial é muito mais arriscada. ‘‘Ele fica exposto demais ao perigo e pode morrer em uma fração de segundo’’, diz.
Já o capitão acha que deve ser mais difícil ocupar a posição do técnico da Seleção Brasileira, pois são 165 milhões de brasileiros discutindo o tempo todo a sua atuação. ‘‘O trabalho é complicado porque na hora que o Brasil entra em campo, todo mundo se acha técnico. Só que tenho certeza que se sentar lá o ‘bicho’ pega’’. Mas Salmem garante: ‘‘Eu não seria um técnico ruim. Todas as vezes que fui técnico de um time lá na Companhia, a minha equipe ganhou’’, brinca.
Salmem preferiu não dar nenhuma recomendação sobre a Seleção para o técnico Luxemburgo. ‘‘Ele conhece muito bem o pessoal e sabe o que faz’’, explica. Mas, quando deixa a Seleção Brasileira de lado e o assunto é o time do coração, surge mais uma diferença. Salmem torce para o Santos, enquanto que Luxemburgo é flamenguista de carteirinha.
Mesmo com certas diferenças, a semelhança ainda é grande. Na última temporada de verão, quando o capitão estava à paisana em Caiobá, passando férias, um médico catarinense insistiu que ele era o técnico Luxemburgo. Salmem entrou na brincadeira e foi comandar o time numa partida de futebol de areia. Algum tempo depois foi confundido por um garoto, que pediu para ser escalado para integrar a Seleção Brasileira.
‘‘É, acho que meu pai deve ter passado por aqui’’, brincou Luxemburgo.