Rio - Hugo Lobo resolveu falar pela primeira vez sobre o escândalo de doping que envolve a nadadora Rebeca Gusmão, de quem é treinador há cerca de 10 anos. O silêncio fazia parte da estratégia de defesa. ‘‘Mas não agüentei’’, admitiu ele, em entrevista ontem para a TV Globo.
  Além de atestar a inocência de Rebeca nas acusações de doping e fraude nos exames, Hugo Lobo acredita que há intenção por parte da Agência Mundial Antidoping (Wada) de prejudicar a nadadora brasileira. Ele também criticou bastante o médico Eduardo de Rose, que é membro da entidade e foi responsável pelo controle de doping no Pan do Rio.
  ‘‘O doutor Eduardo de Rose foi bem irônico. Disse que bastava olhar o corpo dela para saber se ela toma ‘bomba’. Não cabe a ele julgar dessa forma’’, afirmou o treinador, que disse estar ‘‘sofrendo’’ com toda essa história. ‘‘A dor da Rebeca é minha dor também.’’
  O treinador aproveitou a entrevista para garantir que Rebeca ‘‘não tomou anabolizantes’’. A mudança no corpo da atleta, segundo ele, deve-se à paixão dela pela ‘‘malhação’’. ‘‘O recorde brasileiro de supino é 86 quilos e a Rebeca levanta 120 sem fazer uso de anabolizantes’’, revelou Hugo Lobo.
  A Corte Arbitral do Esporte (CAS) anunciou que o julgamento de Rebeca foi adiado do dia 13 para janeiro. A nadadora é aguardada hoje para depor na Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública, no Rio.
  Apontado como vilão pelo técnico de Rebeca Gusmão, Eduardo de Rose defendeu-se das acusações. ‘‘Eu é que me acho perseguido, injustiçado’’, disse o médico, em entrevista à Agência Estado. ‘‘O certo é que ataquem a prova produzida e não quem a produziu. A questão é o que eu posso provar.’’

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