São Paulo - Foram apenas três semanas no Brasil. Duas em Maringá e a outra em São Paulo. E Peter Stanley, de 56 anos, técnico de Jadel Gregório há quase cinco, só pensa em voltar. ''Da próxima vez, trago a minha mulher!'', avisou. Impressionado com o sabor das frutas (''Adorei o limão e o abacaxi'') e com o tamanho da caótica capital paulista, Peter veio ao País pela primeira vez, entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro, para fugir das dificuldades impostas pelo clima tipicamente britânico. A neve que caía inclemente em Gateshead, cidade de 78 mil habitantes onde vivem ele e Jadel, atrapalhava o deslocamento para os treinos - consequentemente, a programação do triplista.
Jadel passou por dificuldades nos dois últimos anos, embora tenha chegado às finais dos Jogos de Pequim/2008 (terminou em 6.º) e do Mundial de Berlim/2009 (foi o 8.º). Agora, o triplista de 29 anos tenta retomar o caminho de 2007, ano em que bateu o recorde sul-americano (17,90m) e foi vice-campeão mundial. Jadel quer, finalmente, alcançar os 18 metros.
Stanley dá risada quando o brasileiro pede que ele não fale em números. ''Posso apenas fazer uma comparação'', disse o britânico, que treinou o recordista mundial do salto triplo, Jonathan Edwards - 18,29 metros, obtidos em 1995. ''O melhor inverno (temporada indoor) que Jadel já teve foi em 2006, no Mundial de Moscou (quando o brasileiro foi vice-campeão). Acredito que hoje ele esteja tão bem ou até melhor''. E Stanley não se refere apenas à parte física. ''Ele também está mentalmente mais forte. Mais centrado, sabe?''
Jadel, como bem se sabe, não foge da polêmica. Em recente entrevista à Agência Estado, acusou membros da comunidade atlética de perseguição, após a suspensão do auxílio financeiro pago aos que vivem fora do País. Stanley, que recebe dinheiro da CBAt para treinar o brasileiro, não entra na polêmica.
Fala, apenas, da pouco conhecida vida de Jadel na Inglaterra. ''Ele vive de maneira frugal. É de casa para o treino. Mas nos damos muito bem. Afortunadamente, compartilharmos mais risadas do que lágrimas''. Mostra-se também impressionado com outra habilidade do saltador. ''Quando começamos a trabalhar, ele mal sabia o inglês. Hoje, além de se comunicar perfeitamente, fala espanhol e italiano. E entende um pouco de russo e japonês''.
Apesar de pequena, Gateshead tem tradição no atletismo e recebe, anualmente, um GP. ''Aí ele é tratado como um local. A torcida o adora. Acho que só perde em popularidade para Phillips Idowu, claro'', comparou o técnico, ao falar do atual campeão mundial do salto triplo.

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