Técnico de Guga acredita em título mundial
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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Chiquinho Leite Moreira 
São Paulo, 18 (AE) - Larri Passos, técnico do tenista Gustavo Kuerten, acha que este ano finalmente conquistou a consagração nacional - já se considera internacionalmente reconhecido -, ganhou respeito e afugentou as críticas à sua qualidade e competência profissional. Confiante na evolução de seu pupilo, confessa que não seria surpresa para ele, se Guga conquistasse o título mundial, na próxima semana, em Hannover, Alemanha.
"Este ano só recebi elogios", afirmou Passos. Mas nem sempre foi assim. Passos, um treinador de relacionamento difícil
acumulou inimigos desde que Guga conquistou o título em Roland Garros, em 1977. De temperamento forte e surpreendente costuma ser duro nas suas declarações, como, por exemplo, em alguns comentários que faz sobre Guga.
"Ele não é um jogador de talento, não é um super dotado", disse Passos, referindo-se ao fato de o tenista precisar treinar bastante, mais do que o normal, para conseguir progressos. "Mas por tudo o que o Guga faz, por sua inteligência e raciocínio rápido, o considero hoje como um tenista completo, que tem condições de chegar a número 1 do mundo."
Título - As vésperas da disputa da Copa do Mundo em Hannover, Passos pede um pouco de paciência na cobranças de resultados de Guga. Disse que o tenista evoluiu muito nas quadras rápidas, mas tem bastante a aprender. "O Guga nunca vai ser um jogador de saque e voleio", garantiu. "Ele não quer este estilo, não gosta deste tipo de jogo e prefere ser forte no fundo de quadra."
Mesmo assim, Passos assegura que a evolução técnica de Guga é significativa. Diz que o tenista poderia ter conquistado o título do US Open, se tivesse passado pelo francês Cedric Pioline, nas quartas-de-final. "Perdeu o jogo por detalhes", afirmou. "Agora para Hannover, volta a ter boas chances." Para Passos, Guga já teve atuações em "encher os olhos", em quadras rápidas.
Lembrou das vitórias sobre Yevgeny Kafelnikov e Richard Krajiceck, no Super 9 de Indian Wells, e do bom resultado diante de Greg Rusedski, em Sydney, no início do ano. "Nesta recente temporada de quadras cobertas na Europa, o Guga mostrou estratégia e condições de vencer", disse. "Só acho que agora para Hannover tem de melhorar o porcentual de aproveitamento de saque, que não esteve bem na Europa".
Com os progressos que o principal tenista brasileiro vem mostrando, Passos acredita que não há mais dúvidas sobre o sucesso da parceria. "As pessoas agora sabem que o Guga está em boas mãos", diz. "Tem apenas 23 anos e ainda está em evolução." Outro motivo que leva o treinador a estar otimista para Hannover é a superfície da quadra. Será jogada no Greenset (não mais no Taraflex), um piso considerado mais lento que o carpete.
"O Greenset é uma base de madeira aglomerada coberta com uma resina, que permite inclusive escorregar um pouco", afirma. "É mais lento que o carpete e o Guga gostou bastante deste piso." A partir de hoje, Guga já inicia treinamentos no local do torneio para ganhar adaptação às condições da superfície.
Feminino - A norte-americana Lindsay Davenport teve uma vitória heróica na sua estréia do Masters feminino, no Madison Square Garden, em Nova York. Mesmo sentindo uma lesão muscular, derrotou a francesa Amelie Mauresmo por 3/6, 6/3 e 6/2. Também Venus Williams sofreu mais do que esperava para superar a espanhola Conchita Martinez e só venceu por três sets, com parciais de 6/2, 5/7 e 6/4.
Pelas quartas-de-final jogam Martina Hingis diante de Mary Pierce; Venus Williams com Barbara Schett; Nathalie Tauziat com Dominique van Roost; e Anke Huber com Lidnsay Davenport. O torneio distribui um total de US$ 2 milhões.


