Agência Estado
O técnico Wanderley Luxemburgo deu um ultimato ao atacante Giovanni, do Barcelona, que precisará ter uma atuação convincente contra a Holanda, no sábado, para manter a possibilidade de continuar no grupo. Giovanni vai formar o ataque da seleção com Amoroso e Rivaldo e terá, pelo menos, de mostrar garra na partida. Luxemburgo foi bem firme e claro ao dizer o que espera do jogador no clássico. ‘‘Não pode todo mundo ficar achando que o Giovanni é craque e ele ficar dormindo no jogo’’, disse. ‘‘Ou ele acorda agora ou não terá mais espaço na seleção.’’ Giovanni reagiu com naturalidade às declarações do técnico. ‘‘Ele me alertou para alguns pontos, apontou erros e vou tentar acertar para disputar a Copa América.’’
O jogador teve uma longa conversa reservada com Luxemburgo antes do treino de ontem pela manhã. O técnico deixou claro que o atacante precisa se motivar para voltar a realizar grandes partidas. ‘‘Fui bem franco e disse a ele que deve se descontrair mais em campo e mostrar toda sua qualidade se quiser ser jogador da seleção.’’ No treino tático, realizado no estádio da Fonte Nova, Luxemburgo exigiu mais atenção de Giovanni. ‘‘Estou oferecendo a ele a oportunidade de buscar seu espaço na equipe.’’
O time para o jogo com a Holanda já está definido, embora Luxemburgo só o deva anunciar oficialmente após o treino de amanhã. Na defesa, Dida será o goleiro, a dupla de zagueiros da Roma, Aldair e Antonio Carlos, vai sair jogando e as laterais serão ocupadas por Evanílson, do Cruzeiro, e Roberto Carlos. O meio-de-campo atuará com dois volantes - Djair e Emerson - e Leonardo, escolhido pelo treinador como capitão da equipe. No ataque, Rivaldo, Amoroso e Giovanni. Os três vão fazer um revezamento na frente e dois deles terão de recuar um pouco para atrapalhar a saída de bola do time holandês.
Luxemburgo optou por escalar Djair também por causa da presença de Evanílson. ‘‘Os dois atuam juntos no Cruzeiro e isso pode dar mais moral ao Evanílson, que não tem a experiência do Djair.’’ Leonardo poderá se deslocar mais pelo lado esquerdo do campo, mas sem muita liberdade de atacar, numa função diferente da que exerce atualmente no Milan. ‘‘Lá, eu sou ‘atacante-atacante’, vai ser completamente diferente, mas não me incomodo de jogar mais recuado.’’
Amoroso - Artilheiro do Campeonato Italiano, o brasiliense Amoroso, da Udinese, pode ser transferido para o Parma, também da Itália, por uma quantia milionária: US$ 30 milhões. Depois de 15 horas de viagem, da Milão a Salvador, passando por São Paulo e Rio de Janeiro, o atacante chegou ontem ao hotel em que está hospedada a seleção e anunciou que a venda do seu passe está ‘‘praticamente’’ fechada. Muito cortejado pelo técnico Wanderley Luxemburgo e outros jogadores da seleção, Amoroso contou que o italiano Fiori e o croata Stanic também devem estar envolvidos na negociação.
Amoroso, na entrevista coletiva, cometeu uma gafe ao dizer que os dois amistosos contra a Holanda vão ser importantes para que ele possa se entrosar com os demais jogadores da seleção e assim disputar a Copa América em ‘‘condições ideais’’. Rapidamente, percebeu um olhar enviezado de Luxemburgo e corrigiu as últimas palavras. ‘‘Isso se o Luxemburgo me convocar’’, declarou. O técnico sorriu e abraçou o atacante.
Dida - O goleiro Dida, novo titular da Seleção Brasileira, admitiu ontem que poderá disputar o Campeonato Brasileiro deste ano pelo Corinthians. Ele não quis entrar em detalhes sobre uma suposta negociação entre a patrocinadora do clube paulista, a Hicks Muse, e o Milan, detentor de seu passe. Deixou claro, no entanto, que até o fim da próxima semana poderá divulgar ‘‘alguma novidade’’ sobre o interesse do Corinthians. ‘‘Mas seria por empréstimo’’, adiantou. Dida vem atuando pelo Lugano, da Suíça, para onde foi emprestado em abril. Seu contrato com o clube suíço termina em 30 de junho.
Depois de um longo impasse, no qual não acertava a sua transferência do Cruzeiro para o Milan, e por isso não era convocado por Luxemburgo, Dida se disse feliz com a convocação e envaidecido pelo fato de Luxemburgo ter afirmado, em entrevista recente, que ele era o melhor goleiro do Brasil. ‘‘Minha intenção é tentar mostrar isso para ele a cada jogo aqui na Seleção’’, disse. ‘‘É uma grande satisfação saber que o treinador pensa isso de mim.’’
Dida passou cinco anos no Cruzeiro, quando teve seu nome relacionado várias vezes para a seleção por Carlos Alberto Parreira e Zagallo. Assim como outros goleiros do País, não teve muitas oportunidades nesta década na seleção por causa da presença contínua de Taffarel no grupo.

mockup