Era para ser "apenas" um jogo de handebol, válido pela abertura do torneio da divisão C dos Jogos Escolares da Juventude (JEJ’s). Os jogadores das seleções da Bahia (Colégio São José) e Ceará (Escola Estadual Francisco Sá) chegaram, aqueceram, ouviram as orientações de seus técnicos e foram para a quadra. Eles só não contavam que teriam uma presença mais que ilustre observando-os de perto, bem ali ao lado do palco do jogo. Nada mais nada menos que o técnico da seleção brasileira adulta, Jordi Ribera.
Quando viu o treinador espanhol, ainda antes da partida começar, Francisco Alexandre do Nascimento da Silva, de 14 anos, custou a acreditar. Nem no mais perfeito de seus sonhos ele imaginaria sair de Pentecoste, no interior do Ceará, para conhecer o treinador. "Foi muito emocionante. É a primeira vez que vimos ao vivo uma pessoa tão importante do nosso esporte. Nunca que eu imaginava que isso ia acontecer", contou o jogador.
O pequeno Valdir Pereira Neto Pontes, de 14, lembrou que a presença do técnico foi como uma recompensa por tudo que a equipe cearense passou para vir a Londrina. "Passamos os últimos quatro anos ‘apanhando’, perdendo na fase regional. Agora vimos que valeu demais", citou o garoto, que já sonha com mais encontros com o treinador espanhol num futuro breve. "Espero que um dia ele possa ser meu técnico. Vou lutar muito por isso".
Ribera chegou ontem pela manhã à cidade. Fez questão de vir acompanhar aos JEJ’s, justamente com a intenção de observar candidatos a uma vaga nas seleções de base. Ontem, o treinador passou o dia todo no ginásio do Moringão e só saiu de lá após a última partida. Até sábado, dia do encerramento do evento, ele pretende assistir a todas as partidas. A vinda a Londrina faz parte do projeto de integração entre todas as seleções.
"Esse evento é muito importante para selecionarmos novos jogadores a serem incluídos nas diferentes atividades das categorias de base da seleção. É uma oportunidade única que temos de estar em um torneio com duração de uma semana, analisando e fazendo o acompanhamento de jovens atletas do país inteiro", valorizou o técnico.
No final, até quem perdeu saiu de quadra feliz. "Mesmo perdendo, valeu. Tentei me esforçar o máximo, mas não deu. Ainda assim, é um dia que vai ficar marcado para mim", falou o "gigante" de 11 anos e 1,83 metro, Marcel Serra Gama, do time baiano, que perdeu a partida por 29 a 9.
"Os jogadores que estão na seleção hoje, um dia jogaram uma competição como esta. Então, o que digo a eles é que devem acreditar em seus sonhos, e ter dedicação e trabalho duro. Isso é o mais importante", encerrou o comandante espanhol.

mockup