Campinas, 3 (AE) - O técnico Marco Aurélio, da Ponte Preta, confirmou uma prática comum no futebol, mas que poucos admitem a sua existência abertamente: "a mala preta" - , que consiste em incentivar um time a derrotar outro mediante uma quantia em dinheiro. A medida, que visa favorecer uma terceira equipe, não é considerada ilegal, mas é tida como sendo imoral no meio esportivo.
O treinador foi mais além e admitiu que a própria Ponte Preta utilizou-se do esquema no ano passado, já que dependia de uma combinação de resultados para se classificar a fase semifinal do Campeonato Paulista da Série A2. Na última rodada, além de vencer o XV de Piracicaba, o time campineiro precisava contar com uma vitoria do Barbarense sobre o Santo André e do Mirassol em cima da Francana para seguir na competição.
"O nosso trabalho atualmente está sendo bom, tanto que a Ponte se classificou sem precisar pagar mala preta este ano", disse o treinador, em forma de desabafo, já que a torcida, mesmo com time em primeiro lugar no seu grupo, vem criticando o seu trabalho. Ele entende também que não houve imoralidade dos dirigentes em 98. "Não existe problema nisso, todo mundo faz", contou Marco Aurélio depois do treino de quarta-feira aos repórteres que fazem cobertura noticiosa do clube.
O treinador não revelou o valor que o clube teria pago. Marco Aurélio e nenhum diretor da Ponte foram encontrados no Estádio Moisés Lucarelli. A informação na portaria era que todos haviam viajado para Jundiaí, onde time jogaria contra o Etti. Celso Teixeira, atualmente no Bragantino, e que na época treinava a Ponte, não confirmou a versão. "Mesmo se soubesse não falaria abertamente sobre o assunto", disse o treinador, que admitiu também que não há nenhum problema em incentivar outra equipe para ganhar um jogo.

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