Técnico Craig Brown já tem a receita
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segunda-feira, 08 de junho de 1998
Agência Folha 
France PresseA duplaColin Hendry e o goleiro Jim Leighton (em primeiro plano) estão preparados para o ataque do BrasilSuportar a pressão inicial, evitar faltas perigosas, trabalhar no contra-ataque e esperar que o desespero tome conta da Seleção Brasileira, que, como atual campeã e favorita, tem a obrigação de vencer. A receita, relativamente simples, é a que a Escócia deverá usar amanhã diante do Brasil.
Segundo Alex Miller, assistente do técnico Craig Brown, o contra-ataque, de fato, deverá ser uma das principais armas de sua equipe. Não vamos nos limitar à defesa, disse Miller, ontem, em Saint-Rémy-de-Provence, no sul da França.
Brown não compareceu ontem à sessão diária de entrevistas da equipe. Mas credenciou o assistente a falar por ele. Apesar de negar qualquer esquema especial de marcação sobre Ronaldinho, a comissão técnica da Escócia preferiu abrir mão de um líbero no time, função desempenhada normalmente pelo capitão Colin Hendry. Hendry deverá compor a defesa ao lado do zagueiro Colin Calderwood e mais dois laterais fixos - num esquema 4-4-2.
A equipe da Escócia não treina hoje. Embarca para Paris após o almoço e tem agendado um reconhecimento do gramado do Stade de France no final da tarde.
Leighton Ser o jogador mais velho da Copa da França não é a única peculiaridade do goleiro da Escócia. Jim Leighton, de 39 anos, vai disputar seu quarto Mundial. Acostumou-se a cada quatro anos a ver a seleção escocesa nadar, nadar e morrer muito antes da praia. Além disso, é míope: precisa da ajuda de lentes de contato para enxergar a bola. Leighton vê no jogo da abertura do Mundial, contra o Brasil, a chance de se redimir da falha que provocou a eliminação da Escócia na última Copa que disputou, em 1990.
A partida contra o Brasil em Turim, há oito anos, não sai da cabeça do goleiro. Os escoceses precisavam de um empate para passar pela primeira vez para a segunda fase de um Mundial. O time segurava um empate sem gols quando, nos minutos finais, Alemão chutou de fora da área. Leighton não conseguiu segurar a bola e Muller, quase sem ângulo, fez o gol da vitória brasileira.
Naquela noite, o goleiro escocês fez um amigo: Taffarel. Quando o jogo acabou, fiquei desconsolado, sentado na linha da grande área, sozinho com meus pensamentos, lembra Leighton. Taffarel se aproximou, colocou o braço no meu ombro e foi muito simpático comigo.
A primeira coisa que Leighton pretende fazer quando entrar no gramado do Estádio Saint-Denis é abraçar o goleiro do Brasil. Ele guarda em sua casa a camisa 1 que Taffarel usou na partida.
Duas semanas após a final da Copa, Leighton completará 40 anos. Segundo ele, ainda não chegou a hora de pensar em parar. O goleiro segue os mandamentos que os escoceses dão ao seu famoso scotch whisky: quanto mais velho, melhor.


