Sebastião Anis Moreira, primeiro técnico de João Pedro, destaca a inteligência, a calma, e o chute de direita do garoto: ''Ele sempre foi um rapazinho educado e, taticamente, sempre obedeceu as instruções do treinador'', rememora Moreira, para quem João teria boas chances de se destacar se obtivesse uma oportunidade verdadeira no futebol.
''Ele precisaria de pelo menos um mês de teste para ser aceito pelos demais jogadores porque hoje existe muita 'panela' nos times grandes. No interior é diferente, joga o melhor mesmo'', avalia o treinador, que trabalhou com João diariamente enquanto treinava outros 110 meninos de Joaquim Távora, há oito anos.
''Treinávamos no campo às segundas, quartas e sextas e futsal de terça e quinta. No fim de semana, jogávamos em campeonatos regionais'', lembra Moreira, que era voluntário e aproveitava o esporte para tirar as crianças da rua.
''Fora o João, apenas outros dois jogadores se destacaram e conseguiram testes na Portuguesa e na Ponte Preta, o resto desistiu do futebol'', conta o treinador, para quem a concorrência limita as chances de um bom jogador ser descoberto.
Para o treinador Aroldo de Carvalho, antes de formar o jogador de futebol, a família deve formar o homem. ''Talento o garoto nasce com ele e é só aprimorar em campo, mas educação é fundamental.'' Segundo ele, outros 300 meninos da idade de João, que participam do campeonato amador regional sub-16, tentam diariamente uma oportunidade no mundo da bola.
''Formar jogador hoje é fácil. Se o pai tem dinheiro para mantê-lo numa escolinha particular dos 8 até os 16 anos, ele quase sempre consegue jogar. É um investimento alto para o clube, que tem que usar o jogador em campo. Mas só se destaca quem tem talento'', analisa Carvalho, que acredita na ajuda de padrinhos para conquistar um grande clube. (M.G.)

mockup