O treinador Jayme Netto, da seleção brasileira e da equipe Rede Atletismo, assumiu ontem a culpa pelo doping de Bruno Tenório, Jorge Célio Sena, Josiane Tito, Lucimara Silvestre e da paranaense Luciana França. De acordo com informações do site Globo Esporte.com, ele afirmou que uma substância proibida denominada eritropoietina recombinante (EPO) foi aplicada duas vezes em
cada atleta, por meio de injeções na barriga.
Dentre os atletas que integravam a delegação que iria representar o Brasil no Mundial de Berlim havia uma paranaense. Há mais de 15 anos, Luciana França iniciou a trajetória no atletismo nas pistas de Cambé, quando treinava pela equipe dos professores Evanil Guarido e Maria Helena Sogabe.
De acordo com o técnico da equipe londrinense de atletismo, José Eugênio Zaninelli, atualmente seus atletas não têm contato com a atleta, que está erradicada e vinculada para competir pela Federação Paulista.
''É difícil falar, porque não dá para saber o que acontece com cada atleta. Se houve ou não, não sei dizer. Minha conduta tem como regra alcançar resultados utilizando apenas os treinamentos, de forma honesta'', justifica. Zaninelli, que considera preocupante descobrir que competidores de alto nível utilizam ''recursos proibidos para buscar índices ou recordes mundiais'', uma vez que a estratégia é utilizada como argumento na hora obter retorno financeiro por meio de patrocínios.
Antes de comentar as acusações sobre o doping, Zaninelli prefere esperar a divulgação do resultado da amostra ''B'', que seria uma confirmação dos exames que levantaram as suspeitas. ''Agora, se for comprovado é desonroso e vergonhoso para o atletismo. Não é o princípio aceito e utilizado pelos atletas que treino em Londrina'', adverte.
Denúncia
O treinador Jayme Netto acredita que o teste-surpresa, feito no dia 15 de junho, em Presidente Prudente, foi solicitado após denúncia. Segundo ele, esse tipo de exame não é realizado em atletas velocistas.
Na terça-feira, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT) informou que os atletas foram flagrados com o ''Recombinant - EPO isoforms'', um hormônio que estimula a produção de energia aeróbica.
Os atletas, que já estavam na Alemanha, chegaram ao Brasil ontem e foram direto para a sede do clube, em Bragança Paulista, interior de São Paulo.
Jayme disse que abandonará o esporte de alto rendimento, mas continuará treinando três atletas do clube Rede Atletismo. Segundo ele, o treinamento será feito de forma pessoal e informal. O técnico garantiu que não quer mais ter contato com a seleção.
''O atletismo acabou para mim. Não tenho mais condições de enfrentar esse esporte. A decepção é muito grande, mas todo mundo tem o direito de errar'', declarou. (Com Agências)

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