Quem passar pelo complexo esportivo do Castelo Branco, em Cambé (Norte), no domingo de manhã, terá uma surpresa. Além de pessoas caminhando, correndo, andando de bicicleta ou mesmo jogando futebol, um grupo de 40 garotos se reúne para treinar um outro tipo de futebol, o americano. É o embrião do time Cambé Falcons, que tem como meta entrar para valer no cenário estadual desta modalidade que ainda engatinha no Brasil.
Técnico, capitão e quarterback, Thiago Silva, 25 anos, é o idealizador do projeto. Ele começou a jogar em Londrina. A cidade possui dois times, o Londrina Barons e o Londrina Bristlebacks. Como morava em Cambé, resolveu montar uma equipe na cidade, mas penou no começo. "Era complicado. Mal conseguíamos juntar quatro atletas. Agora, já temos 40", afirmou o jogador/treinador, que acompanha a modalidade desde criança.
Para angariar jogadores, ele fez uma campanha nas redes sociais que deu certo. "O pessoal foi vindo conhecer e trazendo um amigo. O time foi aumentando", contou.
Um deles foi Rafael André, de 16 anos. Ele não tinha a menor ideia do que era o futebol americano, nunca havia assistido. "Meus amigos convidaram e eu vim ver e gostei. Passei, então, a entender da tática e a assistir jogos. É um esporte que você começa a fazer e já gosta de cara", contou.
Para Silva, os preconceitos contra a modalidade estão sendo quebrados em Cambé. "Existe um certo preconceito do pessoal. Acham que é um esporte violento, que vai machucar e na verdade não é. É muito técnico", afirmou.
Desde fevereiro, ele ganhou a companhia do ex-maratonista Claudemir Pierin, que é o responsável pela preparação física do time e também por angariar parceiros. "Quero ver esse time e essa modalidade se desenvolver em Cambé", disse Pierin.
No cronograma do Cambé Falcons está a disputa de uma competição no ano que vem. A Federação Paranaense de Futebol Americano, além do Campeonato Estadual, promove a Copa Integração, que reúne seis equipes, entre elas o Londrina Barons, que não estão no Brasileiro. O sonho cambeense é estar entre os participantes em 2014. Para isso, é preciso que todos tenham o equipamento de jogo - capacete, shoulder (ombreira), seven pieces (conjunto para proteção de pernas e partes íntimas), rib protector (protetor de costelas) chuteira para futebol americano e luvas -, que custa em média R$ 1,2 mil por jogador.
Os Barons, que disputam a Copa Integração, já estão mais estruturados. A primeira partida disputada com Full Pads - equipamentos completos – foi disputado em julho, contra o time de Maringá. A outra equipe de Londrina, Bristlebacks, tem parte do elenco jogando pelo Red Feet, de Dois Vizinhos (Sudoeste).

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