Ribeirão Preto, 21 (AE) - Se a Federação Paulista de Futebol (FPF) escala dois árbitros num jogo, por que um time não pode ter dois técnicos?
Essa pergunta é a resposta de Carlos Caboclo, da Meca Sports, administradora do Taubaté na Série A3 do Campeonato Paulista, que começa hoje (23), com oito partidas. O time do Vale do Paraíba será dirigido pela dupla Piorra Mendonça-Jandir de Freitas. O primeiro desafio de ambos será em casa, às 16 horas (horário da rodada), contra o Marília, vice-campeão da Série B1A em 1999.
"Os dois serão uma só pessoa", avisa Piorra, de 48 anos, que foi primeiro contratado e indicou o amigo Freitas (ex-Palmeiras e Coritiba), de 44. Por ser mais experiente na função, Piorra ficará mais no banco de reservas, pois é permitido só um treinador no local. O outro ficará nas arquibancadas, observando e passando informações para o companheiro por um aparelho de transmissão. "Conversamos muito durante e após o trabalho", diz Freitas, empolgado com a chance de retornar ao futebol depois de desgastar-se como padeiro. "Onde existe diálogo, chega-se ao objetivo", emenda ele. "Espero que isso dure até o final da competição, mas dependemos de resultados." Se os resultados não agradarem, ao invés de um demitido, serão dois. Mas ambos estão animados. "Duas cabeças pensam melhor que uma e os jogadores e a cidade estão gostando", diz Freitas, que fará as palestras no vestiário. Poderá, no entanto, ocorrer um revezamento no banco. Ciúmes ou traições, pelo menos, eles garantem que não existirão.
"A idéia foi minha e, se tivesse algum problema, seria cômodo colocar o Freitas como meu auxiliar ou no time júnior", comenta Piorra, apostando no sucesso do trabalho integrado. E não vão deslocar-se como olheiro, que ficará a cargo de outra pessoa.
Taubaté e Marília estão no Grupo 3, ao lado de União e São Bento, que jogam hoje (23) em Mogi das Cruzes. O São Bento quer voltar aos bons tempos, em breve, com Unibol, de Pernambuco, que assumiu o clube. O União, ao lado de Internacional de Bebedouro e XV de Jaú, apostam na nova geração e investem em equipes sub-23 (não haverá rebaixamento na 1.a fase), o que renderá R$ 50 mil para cada um, oferecidos pela FPF. A Inter tem até um especialista no assunto: o técnico Sergio Clerice, que jogou 18 anos na Itália e já dirigiu Palmeiras e Santos. "É o tipo de trabalho que gosto", diz Clerice, que também atua como empresário.
A Inter está no Grupo 4 e estréia contra o Jaboticabal, dirigido por Vílson Tadei, fora de casa. Na mesma chave, o Olímpia (de Souza, ex-jogador do Bragantino) recebe a Ferroviária (de João Ricardo Cardoso, que obteve três acessos seguidos pelo Oeste). Pelo Grupo 1, Polozi comandará o Garça contra seu ex-time, o Bandeirante, de Birigui, que manteve a base do ano passado, menos o artilheiro Reginaldo, que fez 28 gols. Noroeste e Coríntians-PP, rebaixados da A2 em 1999, enfrentam-se em Bauru. Pelo Grupo 2, o XV e Nacional jogam em Jaú. Em Limeira, o Independente, campeão da Série B1A em 1999 e comandado administrativamente pelo trio Bernardo-Lê-João Luís, enfrentará o Atlético Sorocaba, do desconhecido Toninho Cobra.

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