Arquivo FolhaEm altaO piloto de Curitiba, dois GPs de experiência: chegou a hora de mostrar o que sabe na F-1O piloto curitibano Tarso Marques, 21 anos, dois GPs de experiência, não é nenhum Michael Schumacher, bicampeão do mundo e reconhecidamente um dos maiores pilotos da história. Os bastidores de sua contratação pela equipe Minardi para disputar o restante da temporada, porém, dão bem uma idéia de quantos interesses envolvem qualquer transação dessa natureza. No mesmo dia, Tarso foi piloto da Sauber, da Minardi e até correu o risco de continuar a assistir às corridas dos boxes, como piloto de testes da Minardi.
‘‘A cada dez minutos o destino de meu filho mudava’’, conta seu pai, Paulo de Tarso, ex-piloto de Stock Car, presente em Magny-Cours. O primeiro a convidar Tarso foi Jean Todt, diretor esportivo da Ferrari, um velho admirador do talento do brasileiro. ‘‘Há dois meses ele queria que eu fosse o piloto de testes da Ferrari, mas o Giancarlo Minardi (um dos proprietários da Minardi), não autorizou’’, explicou Tarso Marques. Antes de se definir pelo motor Hart, Giancarlo tentava convencer a Ferrari a ceder-lhe seus motores, mediante pagamento. Como Luca de Montezemolo, presidente da Ferrari, negou e dias mais tarde os vendeu para a Sauber, organização suíça, Giancarlo ficou furioso.
Na segunda-feira, Todt procurou Tarso novamente para lhe propôr substituir Gianni Morbidelli, da Sauber, que fraturara o braço esquerdo num teste em Magny-Cours, quatro dias antes. ‘‘Fiquei animadíssimo com o convite, afinal a Sauber corre com o motor Ferrari e tem desmonstrado ser um bom carro’’, contou o piloto. Ao mesmo tempo, um ex-sócio de Ron Dennis na McLaren, Creigton Brown, hoje diretor da McLaren Cars, empresa que produz o carro de série da equipe inglesa, ofereceu Tarso a Alain Prost, que precisava de um piloto para o lugar de Olivier Panis. Prost entrou em contato com Flavio Briatore, diretor da Benetton e dono majoritário da Minardi, solicitando a liberação de Tarso para um teste em Magny-Cours.
Briatore, mais do que depressa, viu uma chance de encaixar no negócio um de seus pilotos: o italiano Jarno Trulli. O dirigente tem com Trulli e Giancarlo Fisichella contratos de dez anos que o permite explorá-los praticamente como bem entender. A valorização de Trulli é o que mais interessa a Briatore. Por esse motivo o teste foi realizado com Trulli e não com Tarso.
Giancarlo Minardi conseguiu o que queria: ter Tarso no seu time. Tanto que em momento algum solicitou patrocinadores do brasileiro. Ofereceu-lhe um contrato de três anos e a garantia, escrita, de correr o ano todo. ‘‘Se ele não cumprir o acordo meu vínculo de três anos com a Minardi deixa de existir e eu fico livre para competir por outra equipe’’, explica Tarso.

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