Tarde sem gols e sem público no Café
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quarta-feira, 23 de agosto de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Num jogo sonolento e com poucos lances de emoção, Portuguesa Londrinense e Engenheiro Beltrão não saíram de um empate por 0 a 0, ontem à tarde, num Estádio do Café quase entregue às moscas havia cerca de 80 pessoas na arquibancada, a maioria delas atletas, dirigentes, aposentados e familiares de jogadores. Pagaram ingresso apenas 24 torcedores.
Em campo, os dois times batalharam e se esforçaram, mas tecnicamente não deram demonstração de que realmente valeria a pena pagar ingresso para assistir, numa quarta-feira à tarde, a uma partida da Divisão de Acesso do Paranaense. Com o resultado, a Lusinha, que havia perdido para o Iguaçu (1 a 0), somou o seu primeiro ponto no quadrangular, enquanto o Beltrão tem 2 empatou em casa também por 0 a 0 na rodada de abertura, contra o Cascavel. No domingo, pela 3 rodada, a Portuguesa vai a Cascavel enfrentar o time da casa, enquanto o Beltrão recebe o Iguaçu.
Precisando da vitória, a Portuguesa tratou de ir para cima do Beltrão e logo aos 10 minutos o lateral-esquerdo Igor mandou uma bola na trave do goleiro Danilo. O mesmo Igor, responsável por todos os lances de bola parada da Lusinha, voltou a acertar o travessão em cobrança de falta aos 20 minutos. O lateral, que teve sua escalação ameaçada porque havia levado pontos na boca, no domingo, foi o jogador mais acionado do primeiro tempo, quando o time visitante não agrediu em nenhum momento a Lusinha.
No intervalo, os poucos torcedores das cativas tiveram espaço de sobra para esticar a canela e até para dar um passeio, com os corredores vazios. Difícil foi encontrar um vendedor para comer alguma coisa. Os únicos que estavam no estádio eram um sorveteiro e um vendedor de espetinho, o aposentado Francisco Ribeiro, 73 anos, que reclamou do fraco movimento. ''Não vou vender nem 50 hoje. Se fosse em dia bom de jogo, sairiam uns 300 espetos''.
Seo Francisco só não reclamou de prejuízo porque nos jogos da Lusinha não precisa pagar taxa para trabalhar. ''Se precisasse pagar eu ia sair no vermelho'', afirmou. Sem confusão para ter que apartar nas arquibancadas e nem no gramado, os sete policiais militares escalados para o jogo ficaram apenas no campo, sentados, assistindo à partida tranquilos.
Nas cativas, em função do horário do jogo, predominavam aposentados e vendedores autônomos. Um deles, José Mendes, 48, atribuiu o pequeno interesse pela partida à queda da qualidade do futebol local. ''Se tiver bom futebol o pessoal vem, seja jogo do Londrina ou da Lusinha''. O aposentado Sebastião Grola, 65, cobrou mais movimentação. ''O jogo está equiparado, mas a Portuguesa tem que ir pra cima para animar a torcida. Desse jeito ela não vai subir'', observou.
O Engenheiro Beltrão voltou para o segundo tempo mais fechado e praticamente não deu chances aos atacantes da Lusinha. A única chance de gol foi com o centroavante Ferrari, aos 17 minutos. Ele recebeu na área e chutou de sem-pulo para ótima defesa de Danilo.
Acomodado, o Beltrão só resolveu tentar ganhar o jogo aos 47 do segundo tempo. Num contra-ataque, Neizinho recebeu sozinho na pequena área e tocou à meia altura. O goleiro Nei, no reflexo, salvou a Lusinha de uma derrota, que seria o castigo pela falta de competência para chegar ao gol.
EM LONDRINA
Portuguesa Londrinense 0
Nei; Baesa, Luís Henrique e Rodrigo (Amaral); Dênis, Robert (Roni), Carlos Lima, Tom e Igor; Ferrari e Paraguaio (Ciel). Técnico: Dirceu Mattos
Engenheiro Beltrão 0
Danilo; Buiú, Cláudio, Claudinho e Valdo (Aloísio); Tião, Tóbi, Safira (Marquinhos Guarapuava) e Emanoel; Kanu (Neizinho) e Beré. Técnico: Itamar Belasalmas
Árbitro: Nilo Neves de Souza Júnior
Estádio: Do Café
Público: 49 (24 pagantes)
Renda: R$ 120,00


