Tapetãonão preocupa o Atlético
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quarta-feira, 24 de novembro de 2004
Agência Estado 
Curitiba - O fato de o Superior Tribunal de Justiça Deportiva (STJD) ter acatado denúncia do torcedor Thomaz Frederico Harrison questionando o registro do atacante Denis Marques, do Atlético Paranaense, não está tirando a tranquilidade do clube, que pensa apenas na partida de domingo contra o Grêmio. Afinal, o Atlético possui liminar da Justiça do Trabalho e declaração do diretor de Registro e Transferência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Luiz Gustavo Vieira de Castro, garantindo condição de jogo ao atleta.
O documento da CBF, datado de 20 de outubro, foi divulgado pelo advogado do jogador, Augusto Mafuz. Inscrito sob número 144.745 na entidade, Denis Marques assinou o contrato número 4177021 com o Clube Atlético Paranaense, com validade de 3 de setembro deste ano até 2 de setembro de 2005.
''Declaramos que o referido atleta foi liberado pelo juízo da 12 Vara de Trabalho de Curitiba na reclamação proposta contra o Al Kuwait Sporting Club, filiado à Federação do Kuwait, ficando o mesmo com a condição plena de jogo'', diz o documento da CBF.
Segundo Mafuz, o que se questiona na Fifa não tem nada a ver com a condição do atleta perante o Atlético ou a CBF. ''Diz respeito ao direito ou não que o Kuwait tem em ser ressarcido pela rescisão unilateral do contrato'', afirmou o advogado. ''Não está em questão nem na Justiça do Trabalho e nem na Fifa se o jogador está regular ou não. E o próprio Kuwait não briga para ter o jogador de volta, e sim requer ressarcimento.''
O advogado disse também que o jogador havia assinado um contrato em português, antes de viajar, com o clube do Kuwait. ''Quando chegou lá, deram um contrato em árabe, que exclui alguns valores'', declarou Mafuz.
Por causa disso, ele foi procurado por Denis Marques. ''Entrei na Fifa pedindo a rescisão do contrato em árabe. Como estava às vésperas do fechamento de inscrição, entrei na Justiça do Trabalho pedindo autorização para ele trabalhar. O juiz deu o despacho para que assinasse contrato com o Atlético ou outro qualquer clube'', contou Mafuz.
O advogado acredita que a denúncia reflete apenas um ''oportunismo'' do torcedor, que poderia estar a serviço de outras pessoas ou entidades. ''Tanto não é sério que a Federação Paulista de Futebol repassou a reclamação do torcedor. Nem a Federação nem o Santos quiseram assumir a responsabilidade pela denúncia'', ponderou Mafuz.
STJD O tribunal recebeu ontem à noite da CBF cópia dos documentos do atacante Denis Marques, para verificar se existe alguma irregularidade na inscrição do atleta no Campeonato Brasileiro. Por enquanto, a presidência do STJD não abriu nenhum processo para apurar o caso. Só formalizará ou não a denúncia ao analisar a documentação.
Na eventualidade de ser indiciado e, depois, punido por causa da escalação de Denis Marques, o clube paranaense poderia perder 60 pontos seis por partida disputada pelo atacante no Brasileirão. O Atlético-PR passaria então de líder da competição à lanterninha e estaria rebaixado à Segunda Divisão.


