Tanque maior foi decisivo para Jordan
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sábado, 26 de junho de 1999
Por Livio Oricchio 
Magny-Cours, FRA, 27 (AE) - Heinz-Harald Frentzen completou 50 voltas (212,500 quilômetros) com o volume de gasolina do tanque da sua Jordan, enquanto Mika Hakkinen, da McLaren, e Rubens Barrichello, da Stewart, não conseguiram. Os três fizeram o primeiro pit stop no mesmo momento, na 22ª volta da corrida, que teve 72 voltas. Só que Hakkinen e Barrichello tiveram de fazer uma parada extra para reabastecimento, ambos na 65ª volta. Frentzen, que estava atrás dos dois quando eles fizeram o segundo pit stop, permanceu na pista e recebeu a bandeirada em primeiro, sete voltas mais tarde.
Como explicar essa maior autonomia da Jordan em relação à McLaren e a Stewart e que em Magny-Cours foi decisiva na conquista de Frentzen?
Várias perguntas ficaram sem resposta depois da prova de hoje. Por exemplo: o volume do tanque de combustível da Jordan é maior que o da McLaren e da Stewart? Segundo o engenheiro de Barrichello, Robin Gearing, sim. O projetista da Jordan, Mike Gascoyne, confirma a impressão: "Aprendemos já na abertura do Mundial, em Melbourne, que precisávamos ampliar nosso tanque", disse hoje.
O volume é livre por regulamento, mas um tanque muito grande pode comprometer o desempenho do conjunto, por aumentar demasiadamente a sua distância entre-eixos.
"Nós ganhamos alguns litros (cerca de seis), sem sacrificar essa distância", contou Gascoyne. Estima-se que a Jordan pode colocar cerca de 130 litros em seu carro, volume supostamente poucos litros superior ao dos tanques da McLaren e da Stewart.
Os seis litros a mais do tanque da Jordan lhe dão cerca de duas voltas a mais de autonomia, numa pista com a extensão da de Magny-Cours, 4.250 metros, e suas características. "Acredito que só isso também não explica nossa permanência na corrida, sem parar", diz Gascoyne.
"Frentzen é um piloto excepcional, que sabe economizar gasolina sem deixar de ser veloz", afirma. Apesar do recurso do tanque maior e da capacidade de Frentzen, Gascoyne contou que foi o período de permanência do Safety Car na pista, da 26.a a 35.a volta, que permitiu ao piloto alemão ganhar a autonomia necessária para completar a prova.
"Uma volta depois que ele entrasse na pista ou uma antes que a deixasse, não daria para Frentzen seguir na corrida sem parar", explicou. "Aqui na Fórmula 1 dizem que Eddie Jordan (dono da equipe) é um homem de sorte e que Deus está sempre com ele; hoje (ontem) mais do que nunca isso foi verdade", brincou Gascoyne. "Tenho dúvidas de que completaríamos mais uma única volta em condição de corrida", afirmou.
Ele não quis revelar dados de economia permitidos com o Safety Car, instante em que os carros passam a se deslocar em velocidade mais reduzida. O engenheiro de Barrichello não os escondeu: "Economizamos de 25 a 30% de gasolina, dependendo da volta", fala Gearing. Outro dado importante é quanto a menos se consome com o asfalto molhado como nas condições do fim da corrida. "De 10 a 15%", divulga Gearing. Segundo uma fonte, o consumo médio em Magny-Cours, com o asfalto seco, é de 3,4 litros por volta, em média, considerando-se que alguns motores gastam mais gasolina que outros. "Colocamos todas essas variáveis na balança e concluímos que daria para Frentzen receber a bandeirada sem parar; estávamos certos", disse Gascoyne.


