Agência Estado
De São Paulo
Único jogador da história do Corinthians a participar das duas conquistas de Campeonatos Brasileiros, em 1990 e 1998, o atacante Dinei pede apenas uma chance ao técnico Oswaldo de Oliveira para comprovar a sua fama de talismã e contribuir para o terceiro título. Diferentemente do ano passado, quando foi fundamental na decisão contra o Cruzeiro, jogando parte das três partidas finais e participando de todos os cinco gols da equipe, Dinei, desta vez, não tem sido aproveitado.
Dificilmente entra, mesmo durante as partidas. ‘‘Eu estranhei não ter entrado domingo, no Mineirão’’, admitiu. ‘‘Eu entendo as opções do treinador e os problemas que ele tem enfrentado nas partidas com jogadores que atuam do meio-campo para trás’’, acrescentou.
A angústia por não poder ajudar o Corinthians, seu time do coração, numa fase como esta, não faz Dinei perder o bom-humor de costume. ‘‘Ainda tenho dois jogos para sobreviver’’, afirmou. ‘‘Tenho certeza que o ‘Homem’ lá em cima está reservando algo especial para mim.’’ Dinei nem pensa em repetir a façanha do Brasileiro do ano passado. ‘‘Se eu fizer apenas 10% do que fiz em 98, estarei satisfeito’’, disse.
Curiosamente, o período em que Dinei foi mais aproveitado no Corinthians, desde sua volta, coincidiu com a passagem de Evaristo de Macedo pelo clube, com quem o jogador não tinha um bom relacionamento. ‘‘Joguei bastante no primeiro semestre, inclusive como titular, mas, depois, tive de operar o joelho novamente e isso me prejudicou bastante.’’
Os seguidos problemas nos joelhos, aliás, fazem com que Dinei dificilmente tenha condições de atuar os 90 minutos de uma partida. Normalmente, ele já não faz o mesmo treinamento físico dos demais jogadores. É obrigado a passar frequentemente por um trabalho de reforço muscular.
A necessidade de derrotar pelo menos uma vez o Atlético-MG nos dois próximos jogos para ficar com o título brasileiro não faz o técnico Oswaldo de Oliveira alterar a sua estratégia. ‘‘Vamos atacar com precaução; o importante é não perder o jogo e levar a decisão para a terceira partida’’, disse o treinador. Para ele, a obrigação de vitória é do adversário. ‘‘Quem tem de arriscar é o Atlético, para acabar logo com o campeonato.’’
Oswaldo está convicto da força de sua equipe e, segundo ele, ‘‘o maior adversário do Corinthians é o próprio Corinthians’’. ‘‘Perdemos para nós mesmos’’, afirmou o técnico, que passou 30 minutos, antes do treinamento de ontem à tarde no Parque São Jorge, reunido com os jogadores no vestiário. ‘‘O principal é ter concentração, equilíbrio e seriedade para não cometer os mesmos erros.’’
Após a desatenção no início da partida, a sensação entre os jogadores e comissão técnica é de que a derrota de 3 a 2 no domingo não foi o resultado mais justo no Mineirão. ‘‘Mais cinco minutos e iríamos ganhar; todo mundo saiu com um gostinho de quero mais’’, revelou Oswaldo, que não poupou críticas ao setor defensivo do time, quanto à marcação feita a Guilherme. ‘‘Ele precisa ser marcado como se marca Romário, Edmundo, Pelé; não pode dar espaço.’’Mesmo ignorado no primeiro jogo, atacante não perde o humor: ‘O Homem lá em cima está reservando algo especial para mim’
Arquivo FolhaDUPLA ALVINEGRADinei (E) com Marcelinho em treino do Corinthians: ‘Se eu fizer 10% do que fiz em 98, estarei satisfeito’

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