TALENTOS ESPECIAIS - Atletas superam próprias limitações
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sábado, 12 de junho de 2004
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Nenhuma dificuldade ou problema é tão grande que não possa ser superado. É com esse raciocínio que os portadores de necessidades especiais vencem suas próprias limitações e tornam-se grandes atletas. São pessoas excepcionais, não por apresentarem alguma necessidade, mas pela bravura e talento demonstrados dentro de quadras, campos, pistas e piscinas. A região de Londrina é riquíssima em talentos, que mesmo apresentando necessidades mentais ou físicas são verdadeiros campeões.
São vários exemplos de homens e mulheres que superam suas limitações motoras e tornam-se colecionadores de títulos. Poucos sabem, mas vários alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) do Norte do Paraná integram seleções brasileiras de basquete e atletismo, entre outras modalidades esportivas para portadores de necessidades especiais.
Claudinéia Lira de Souza, 26 anos, aluna da Escola de Educação Especial Oswaldo de Jesus-APAE, de Cambé, que atende 213 alunos, já participou de cinco Mundiais de basquete para portadores de necessidades especiais, de uma Paraolimpíada no mesmo esporte, além de um Mundial de Atletismo. Através do esporte, ela conheceu países como Grécia, Espanha, Portugal, Tunísia e Polônia. ''A Grécia é o mais bonito e o que mais gostei'', afirmou Claudinéia. Em dois mundiais de basquete, Néia, como é conhecida, ajudou a seleção brasileira a conquistar o quinto lugar.
Néia começou a praticar esportes com 15 anos, através do incentivo da então professora e atual diretora da escola, Roseane Margarete de Almeida, que viu nela uma grande promessa. ''Ela sempre demonstrou habilidade motora'', frisou Roseane. Essa habilidade motora permitiu que a aluna praticasse mais de um esporte. Mesmo gostando mais do basquete, ela demonstrou ser uma vencedora no atletismo. Há 15 dias, sagrou-se campeã brasileira nos arremessos de peso, disco e dardo. A competição foi disputada em Cubatão (SP).
Mas não é apenas Claudinéia que orgulha a escola e os demais alunos com suas conquistas. Sueli de Andrade, 14, e Eva Ribeiro dos Santos, 16, também integraram a seleção brasileira de basquete que disputou o Mundial da Polônia, no ano passado. Sueli também é craque no tênis de mesa. No último final de semana, ficou com o vicecampeonato no Campeonato Especial disputado em Londrina. Da mesma forma que Claudinéia, as duas sonham em disputar uma Paraolimpíada.
A descoberta de tantos talentos, segundo a diretora, está ligada ao trabalho desenvolvido pelos professores que valorizam as aptidões de cada aluno. A professora de educação física Edna Belotti ressalta que a escola conta com outros três alunos na seleção brasileira de basquete masculino para portadores de necessidades especiais.
Roseane acredita que os alunos poderiam ter um futuro mais brilhante no esporte se houvesse mais apoio por parte das iniciativas privada e pública. ''É uma questão de falta de cultura do País'', lamentou. Ela acrescentou que durante as competições internacionais fica evidente as diferenças entre as demais equipes e a brasileira. ''Falta estrutura para nossos atletas desenvolverem suas habilidades'', observou.


