Talento no pé desvalorizado
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terça-feira, 21 de maio de 2013
João Fortes<br>Reportagem Local 
Quando se trata de um jogador de futebol que teve uma ou mais passagens pela Seleção Brasileira, é natural pensar que, independente de resultados, ele se mantém em um alto patamar da carreira profissional, em um clube renomado e um salário equivalente à elite do esporte.
Mas é difícil dizer o mesmo quando se trata do futebol feminino. À exceção de jogadoras como Marta, que atualmente joga no exterior, conquistar o sonho maior entre as esportistas parece não ser tão significativo após a participação no time que representa o País.
Exemplo claro disso é a volante Renata Costa, que já disputou três Copas do Mundo e três Olimpíadas, entre outras competições internacionais. No último domingo, ela participou na Copa Londrina de Futebol Feminino, representando o Assaí, equipe que ela também comanda e que, além de disputar competições regionais e estaduais, serve como base para formação de jogadoras.
A atleta destaca que, por decisão própria, vem se dedicando exclusivamente ao time paranaense, mas admite que até mesmo atletas do nível da seleção nacional não são valorizadas como deveriam no Brasil. "É uma indiferença grande, principalmente se não tem título. Já na Europa, por exemplo, se a jogadora tiver apenas uma passagem pela seleção já é bem mais valorizada", avalia.
A ideia de buscar uma vaga em um clube grande ainda existe para Renata. Mas não nesse momento, em que ela quer ver o Assaí crescer, conquistar um Campeonato Paranaense e dar boa formação esportiva para meninas que, assim como ela fez um dia, sonham em chegar à seleção brasileira. Com a experiência de quem sabe que nem tudo são flores no futebol feminino, a volante faz questão de orientar as jogadoras em formação. "Sempre falo que elas têm que estudar muito, fazer uma boa faculdade, para se garantir lá na frente, pois somente o futebol é difícil."
O trabalho da escolinha de futebol rendeu, recentemente, a convocação da meio-campo Carla Machado que, aos 13 anos, vai fazer parte da seleção feminina sub-15.
Feliz com o que está por vir, ela espera, um dia, poder estar na seleção adulta e disputar um mundial. Mas apesar da idade, a menina não é ingênua e tem ideia do que será preciso nos próximos anos. "Tem que batalhar muito", afirma a garota, que também conclui ser muito melhor jogar no exterior.
Por isso, quem tem uma oportunidade assim deve agarrá-la com toda força. Como está prestes a fazer a mineira Aline Milene, que veio para Londrina estudar psicologia e joga pela equipe de Arapongas. Mas é nos Estados Unidos que está o seu futuro.
Com a indicação de uma amiga que está se saindo muito bem por lá, o técnico da equipe de futebol da Nort West College, no estado do Colorado, assistiu a vídeos de Aline jogando e ofereceu uma bolsa de estudos para ela na universidade. "Foi incrível, é o sonho de qualquer atleta. Nos EUA eles valorizam muito o futebol feminino e adoram as brasileiras", declara a atacante.


