Taekwondo, uma arte que tem história
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domingo, 12 de maio de 2002
Ana Setti<br>Reportagem Local 
Pinturas de mais de 1.800 anos de idade, encontradas em cavernas e tumbas antigas comprovam que a prática de artes marciais era muito apreciada pelos habitantes da região hoje conhecida como Coréia. Os movimentos retratados inspiravam-se em danças e rituais religiosos da época, mas logo seriam incorporados a posturas defensivas e ofensivas, adotadas pelos guerreiros nas lutas contra tribos rivais.
Naquele tempo, a Coréia era dividida em três reinos: Koguryo, Baek Je e Sila, o menor deles e que, por isso, vivia sendo ameaçado pelos demais. Aristocratas e guerreiros de Sila resolveram, então, se reunir para defender o reino dos ataques. Os Hwarang-Do, como ficaram conhecidos, tornaram-se famosos por sua disciplina e ferocidade. Sentiam-se deuses e, como tais, buscavam a perfeição, vestindo-se e pintando-se como mulheres, na tentativa de reunir em si mesmos os elementos masculino e feminino, e dançando ao pé das montanhas ou nas nascentes dos rios, para absorver a força da natureza.
Aprimoraram-se no uso do arco-e-flecha, da lança e da espada, mas especialmente na utilização de pés e mãos como armas e na disciplina mental, para dominar a força. Assim preparados, conseguiram unificar os reinos, surgindo daí a nação.
Mais recentemente, no início do século XX, o Japão invadiu a Coréia, mantendo a dominação até 1945, e proibiu qualquer manifestação cultural ou esportiva não japonesa. Contudo, estimulou os policiais coreanos a aprender o Karatê, uma arte marcial tipicamente japonesa, para colaborar na manutenção da ordem local.
Com a derrota dos países do eixo (Alemanha, Itália e Japão), que encerrou a segunda guerra mundial, o Japão também perdeu seu domínio sobre a Coréia. Lentamente, os coreanos começaram a resgatar a prática de suas artes marciais mais autênticas, como o Taekyon, que era aquela usada pelos guerreiros de Sila, procurando diferenciar os movimentos fortes, duros e trabalhados do estilo japonês dos movimentos velozes e ágeis do estilo coreano.
Quando da reestruturação das forças militares do país, os mestres de artes marciais coreanos foram encarregados de combinar o melhor das diversas práticas, inclusive o Karatê, para adestrar os soldados no combate corpo a corpo. Essa combinação, denominada Taekwondo, foi oficializada como esporte nacional da Coréia no início da década de 70. Nessa mesma época, o Taekwondo chegava ao Brasil, por intermédio do grão mestre Sang Min Cho, que recebeu da Federação Internacional de TKD a missão de implantar, na América do Sul, a arte marcial coreana. A notoriedade do Taekwondo chegou ao auge em 2000, quando foi aceito como esporte oficial dos Jogos Olímpicos.


