Taekwondo observa 'fim da fantasia'
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sábado, 18 de agosto de 2007
Luís Ferrari<br> Folhapress 
São Paulo - No dia 17 de julho, o taekwondo brasileiro encerrava o Pan com o melhor desempenho da história da modalidade e com esperança de um futuro melhor. Exatamente um mês após o resultado no Rio, o esporte lamenta o fato de as medalhas, na prática, terem mudado a vida de apenas um atleta, o campeão Diogo Silva, que treina em Londrina.
Nem o vice-presidente técnico da confederação brasileira, mestre Marcelino Soares, esconde que já jogou a toalha na luta por um patrocínio à entidade. ''Se o investimento tivesse de vir, acho que ele já teria dado o sinal. Não tenho muita esperança de nada grande e hoje me pego triste em ver essa situação'', conta o dirigente.
Ele aponta que o principal legado das quatro medalhas (uma de ouro, duas de prata e uma de bronze) obtidas pela equipe nacional no Rio beneficia sobretudo o brasileiro que conquistou a primeira medalha de ouro nos Jogos. E mais pela personalidade de Silva que por qualquer outro motivo. ''Diogo teve muito acesso à mídia e o povo se identificou com ele pela origem humilde, pela maneira como se posicionou, pela liderança que ele demonstrou e pela trajetória de dificuldades'', diz Soares.
O atleta, que narra ter passado o mês cheio de compromissos e eventos, concorda. ''Meu jeito pesou'', fala ele, sobre o período pós-Pan, no qual experimentou uma mudança em sua vida, inclusive realizando o sonho de dar um carro de presente à sua mãe.
''Acredito que teve um componente pessoal mesmo, pela minha história de vida, meu caráter. Falei o que tinha que ter falado na hora certa. Foi diferente (do protesto contra os dirigentes) da Olimpíada de Atenas, quando só ganhei tapa nas costas e dor de cabeça'', diz o lutador, que, com o ouro no peito reclamou na entrevista coletiva que recebia R$ 600 mensais.
Soares aponta que essa verba deve passar para R$ 3.000 a partir do próximo mês e que a confederação pode apenas oferecer um reajuste na bolsa que os medalhistas do Pan recebem, já que o orçamento para 2008 continua idêntico ao que a entidade teve para este ano.
''Vou pedir ajuda ao COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que tem ligações fortes com grandes empresas, para saber como ele pode ajudar na busca por um investidor privado, já que o percentual repassado pela Lei Piva continua o mesmo'', destaca o dirigente, que até arrisca um diagnóstico para a dificuldade de sua confederação: ''Talvez ainda falte um pouco de organização mesmo''.
Se, ao tratar da elite, o tom do dirigente é de lamento - ''Se o modelo do Pan, com concentração e treinos na minha academia, oferecida gratuitamente, não for mantido, é difícil cogitar medalha em Pequim'' -, o mesmo não acontece quando o tema é a prática amadora. ''A procura pelas academias aumentou. Ouço relatos de ex-atletas que voltaram a praticar e de iniciantes, que buscaram o taekwondo motivados pelo Diogo'', relata Soares. Ele agora espera a Olimpíada de Pequim para tentar transformar em patrocínio a crescente popularização do taekwondo no país.


