TAEKWONDO Arte marcial em família
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sábado, 28 de junho de 2003
Claudio Yuge<br> Reportagem Local 
Família. Essa parece ser a palavra-chave para caracterizar a história do taekwondo em Londrina. Desde o início da modalidade no município até os bons resultados apresentados atualmente, a união de grupos bastante unidos e com forte acompanhamento dos professores são as características marcantes da arte marcial na cidade. E os frutos estão aí: Londrina tem hoje a única representante brasileira em Olimpíadas (Carmen Carolina Silva), a única brasileira campeã mundial (Natália Falavigna), e, com Walassi Aires, garantiu também uma vaga assegurada na seleção brasileira de taekwondo que vai aos jogos Pan-Americanos da República Dominicana.
E, para ilustrar essa história, nada mais justo do que começar com seus três maiores protagonistas: o mestre Sidnei Kayamori e seus alunos, Fernando Madureira e Clóvis Aires. Kayamori, influenciado pelos ensinamentos do coreano Ku Han Kim, começou a treinar em 1972 e, quatro anos mais tarde, já estaria ministrando aulas em Londrina.
''Através de um convite de um amigo, comecei a treinar com o Kayamori em 1978'', lembra o professor de taekwondo Clóvis Aires, que, através de sua academia, a Pequeno Tigre, mantém o treinamento de diversos atletas da equipe londrinense, entre eles Natália Falavigna, Carmen Silva, Juliana Santana, e seu filho, Walassi Aires, todos atletas que podem estar representando o Brasil na próxima Olimpíada, em Atenas.
Seu 'irmão', Fernando Madureira, começou a treinar em 82 e também teve o mesmo professor e, assim como Aires, conserva na Academia Madureira os mesmos ensinamentos aprendidos com o 'pai' Kayamori. De acordo com Madureira, os resultados não são conseguidos só através da técnica, mas também na formação do caráter dos atletas. ''É preciso disciplina e perseverança para conseguir os resultados e, para isso, é necessário um sistema pedagógico para formar atletas'', disse. Sua academia abriga Rodrigo Ferla e Renata Pereira, que se destacaram nas últimas competições e podem figurar na equipe olímpica.
Atualmente, ambas as academias representam o time londrinense e são apoiadas pela Associação Londrinense de Taekwondo. A associação recebe da Fundação de Esportes de Londrina R$ 30 mil por ano. ''O ideal é que esse valor fosse algo em torno de R$ 170 mil, para pagar despesas com viagens e ajuda de custo para os atletas participarem de todos os torneios nacionais'', afirmou Madureira.
O valor acaba ajudando pelo menos a custear parte dos gastos dos 40 atletas com alto nível de competição na cidade, mas é insuficiente para que haja maior difusão do esporte no município. ''Falta também o apoio empresarial, que deveria contribuir não só com o futebol e o basquete, mas com esportes que podem trazer medalhas olímpicas'', desabafou Aires.
Com a parceria da prefeitura, as academias oferecem estagiários que participam de oficinas de taekwondo em escolas da periferia da cidade. Através de 'peneiradas', os jovens são encaminhados para as turmas de Aires ou de Madureira e ganham bolsas para continuarem treinando. ''Os alunos selecionados não pagam mensalidade e podem usufruir do esporte, que além de dar autoconfiança, ajuda na formação da personalidade'', disse Madureira. ''Com as drogas e a violência aumentando nas grandes cidades, deixamos de ser só treinadores. Ajudamos também no convívio familiar, ensinando os alunos também a procurarem ser responsáveis e ajudarem os pais, que participam das reuniões'', completou Aires.


