TAEKWONDO - Londrinense é esperança de ouro na Grécia
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segunda-feira, 14 de junho de 2004
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Única brasileira a disputar o taekwondo feminino nos Jogos Olímpicos de Atenas, a londrinense Natália Falavigna, 20 anos, é apontada como uma das grandes favoritas a conquistar a medalha de ouro. Focada nos treinamentos, a atleta prefere não pensar na possibilidade de se tornar uma heroína olímpica. Há mais de seis meses, sua vida se resume a treinar. Ela sabe que o esforço de hoje pode se tornar na glória de amanhã.
As conquistas sempre ocorreram de uma forma precoce na vida de Natália. Aos 16 anos, três depois de começar a praticar o taekwondo, ela sagrou-se campeã mundial juvenil, no campeonato disputado na Irlanda, em 2000. Seu técnico e da seleção brasileira feminina de taekwondo, Clóvis Aires, recorda que a meta inicial era ficar entre as primeiras. ''Mas ela é muito determinada. A cada luta me dizia que queria conquistar o primeiro lugar. E conquistou'', observou.
A vaga na Olimpíada foi confirmada, no final de janeiro, no Pan-Americano de Taekwondo, disputado em Querétaro, no México. As três primeiras de cada categoria se classificavam para a Olimpíada. Natália foi a segunda na categoria acima de 67 quilos peso pesado, perdendo para uma venezuelana na decisão. ''Aproveitei que já estava classificada para estudar minha adversária'', explicou a atleta.
Com a presença em Atenas assegurada, Natália passou a dedicar-se exclusivamente aos treinamentos. Para aperfeiçoar sua técnica, ela permaneceu 40 dias na Coréia do Sul, país de origem do esporte. Na Ásia, Natália conheceu uma realidade bem diferente da existente no Brasil. ''Eles são muito disciplinados, por isso são tão bons'', frisou. O respeito pelos mais velhos foi outra característica dos coreanos que chamou sua atenção. ''Não importa quem é mais graduado. O mais novo baixa a cabeça ao mais velho'', completou.
Muito consciente, Natália faz questão de ressaltar que seu sucesso está ligado ao trabalho e oportunidade oferecida por Aires. Essa, inclusive, será a segunda Olimpíada consecutiva, que Aires tem uma atleta na competição. Em Sidney, Carmem Carolina Leocádio ficou em quinto lugar. Em Atenas, a equipe brasileira de taekwondo contará ainda com dois atletas no masculino, Diogo Silva e Marcel Wenceslau.
Clóvis Aires não duvida que sua pupila seja uma das grandes favoritas a obter a medalha de ouro. Uma prova disso, segundo ele, é que em dez competições internacionais disputadas, Natália conquistou oito medalhas. A atleta desconversa quando o assunto é a chance de medalha em Atenas. Alheia a seu favoritismo, Natália treina uma média de seis horas por dia na academia Pequeno Tigre, inclusive aos sábados. ''Estou com os pés no chão e tranquila. Prefiro deixar as coisas acontecerem para depois poder comemorar'', afirmou.
Sobre suas adversárias em Atenas, Natália diz conhecer as 16 participantes e enumera algumas como as mais difíceis a serem batidas, entre elas, uma chinesa, atual campeã olimpíca, uma francesa e uma russa. ''Quem errar menos e estiver mais confiante vencerá'', prevê. A atleta não deverá participar de qualquer competição antes de disputar a Olimpíada. ''Será uma experiência única participar da Olimpíada, mas não quero apenas participar'', declarou Natália deixando no ar que lutará muito por uma medalha.


