Tacadas cada vez mais populares
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Thiago Mossini<br>Reportagem Local* 

Cornélio Procópio - Mais do que tentar acertar os 18 buracos do extenso e repleto de obstáculos campo de golfe, é a reunião de amigos e competidores, que dura manhãs e tardes inteiras, que motiva golfistas amadores e profissionais, jovens e experientes, a se dedicarem à modalidade. Tanto que ela é uma das que mais crescem no País. Segundo dados da CBG (Confederação Brasileira de Golfe), são 25 mil praticantes, que dão suas tacadas em quase 120 campos espalhados pelo Brasil. No Paraná, o número de golfistas também está crescendo, bem como o de clubes e confrarias de jogadores.
O golfe ganhou mais visibilidade após a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, quando voltou a ser esporte olímpico depois de mais de um século fora dos Jogos. As duas únicas participações até então haviam sido em Paris-1900 e Saint Louis-1904.
No entanto, ainda há um certo preconceito com a modalidade, tida como de elite, devido à falta de campos públicos e ao salgado preço das mensalidades na maioria dos clubes de golfe. "Existia uma barreira grande, mas o golfe está crescendo, acabando aquele preconceito de que é um esporte muito caro. Na nossa região, há muitos bons campos disponíveis, em Londrina e Maringá, por exemplo", apontou Wagner Pires, gerente de hospedagem do Aguativa Golf Resort, em Cornélio Procópio, no Norte do Paraná, e responsável pela organização dos torneios do local, que possui um dos mais estruturados campos do interior do Estado.
É lá que uma iniciativa vem despertando o interesse pela modalidade na região. De olho na ocupação do campo e no crescimento do número de jogadores na região, foi criada a Confraria de Golfe Aguativa, que conta com quase 40 golfistas e que integra os familiares deles ao final de semana de jogos. Os jogadores pagam uma mensalidade relativamente mais baixa em relação ao que é cobrado geralmente pelos clubes e podem levar toda a família para jogar e utilizar o campo quantas vezes quiserem ao longo do mês, além de terem acesso à estrutura do resort, como o parque aquático, por exemplo. Cada membro ainda pode convidar amigos para conhecer a modalidade.
"Temos um campo de nove buracos federado e criamos o projeto da Confraria. A gente reúne pessoas da região, Cornélio, Uraí, Londrina, Ibiporã, Bandeirantes... São pessoas que nunca tiveram contato com o esporte e puderam, por meio da Confraria, conhecer o golfe, ter essa experiência e sair daqui para disputar torneios estaduais e em outros estados, como São Paulo. Alguns destes jogadores até já estão conquistando troféus", contou Pires.
O médico ginecologista Alessandro Bergamasco é um deles. Ele ressaltou esse crescimento da modalidade na região. "A Confraria é um grupo de amigos que quer movimentar o golfe na região. São quase 40 sócios, que jogam nos finais de semana. O pessoal abraçou a ideia e estamos tentando fazer cada vez mais eventos", disse o golfista.
O esporte também une casais à beira do campo. O médico do trabalho Renan Seugling Perisse joga há oito anos e arrasta a esposa Denise para os campos desde 2017. "O golfe é um esporte de referência em qualidade de vida. Você alia atividade física, lazer e a oportunidade de ter um contato com a natureza. Conhecemos lugares maravilhosos, muito bonitos e prazerosos de jogar", apontou Perisse, que trocou as peladas de futebol pelos tacos de golfe. Ele já disputou até torneios nos Estados Unidos.
A Confraria organiza a cada dois meses seu torneio. No primeiro final de semana de maio, foi realizado o 10º Open, com golfistas de todo o Paraná. Os grandes campeões do torneio foram Jair Benke Junior, do Pine Hill de Toledo, e Paula Nishiyama, do Maringá Golf Club, no masculino e feminino, respectivamente.
No primeiro dia de disputas, foi realizado o Pro-Am, com a participação de seis profissionais (Adauto Garcia, Marcos Silva, Paulo Silva, Edione Nogueira, Paulo Costa e Maurílio Santana). As equipes foram formadas por um profissional e quatro amadores. A equipe campeã foi a de Paulo Silva, que terminou o dia com o resultado impressionante de 13 abaixo do par, total de 57 gross.
*O jornalista viajou a convite do Aguativa Golf Resort
Galvão Bueno planeja projetos de base
O golfe também virou um dos esportes queridinhos dos famosos e isso tem incentivado homens, mulheres e crianças a darem as primeiras tacadas. O narrador esportivo Galvão Bueno, que possui raízes em Londrina, é um deles. Angariou ex-atletas, artistas, músicos e jornalistas para os torneios que organiza e tenta colocar em prática dois projetos de revelação de novos atletas e fortalecimento da base do esporte, sendo um em Londrina e outro no Rio de Janeiro.
O narrador diz que joga menos do que gostaria devido à falta de tempo. "Se pudesse jogar dia sim, dia não, estaria imensamente feliz", contou à FOLHA. "A paixão surgiu faz tempo. Comecei a ver as transmissões de golfe e me encantei. Mas, na verdade, comecei a jogar quando fui para Londrina, no ano 2000. Então sou jogador de golfe recente, 17 anos para 18 anos como praticante, mas o golfe apaixona, quase vicia. Fui levado para o golfe por meus amigos Luiz Carlos Miguita (cardiologista) e Luiz Onishi (gastroenterologista), amigos e médicos que cuidam da minha saúde. Comecei no Londrina Golfe Clube e depois mudei para o Royal Golf, e jogo quando estou em Londrina. Sou sócio do clube São Fernando, para mim o mais espetacular do Brasil, em São Paulo", completou.
Atualmente, Galvão promove dois torneios. Um deles é o "Bem Amigos", em Orlando, nos Estados Unidos, com 80 brasileiros, que este ano teve uma equipe de londrinenses. O outro é em São Paulo. "Em outubro, no São Fernando, tem a segunda edição do Galvão Bueno Invitational. Foi considerado o melhor torneio de golfe amador já realizado na América do Sul, com mais de cem jogadores e fantástica organização. Muitas celebridades, amigos, jogadores, atores, músicos. Todos amigos que se apaixonaram por golfe, que é uma coisa fantástica", afirmou.
Ele acredita que o esporte está se popularizando no Brasil e vai ganhar muito espaço. "O que falta são campos populares, com uma certa facilidade financeira para que as pessoas possam jogar. O campo olímpico é aberto ao público, temos campos particulares e os grandes clubes espalhados pelo Brasil. Mas gostaria de ver uma política mais popular, e tenho me empenhado nisso, de campos públicos a um preço acessível para que as pessoas possam jogar. Nos falta o nosso Guga do golfe, alguém que levante as pessoas, que elas possam acompanhar os torneios internacionais e que conquiste títulos, se torne um grande ídolo e tenha carisma. Essa é a busca", analisou.
Ele tenta implantar o projeto de um Centro de Desenvolvimento de Golfe em Londrina. "Ainda está sendo planejado. O responsável pela formação de um novo atleta e que dará aulas será o Marcos Silva, o Marcão, que é amigo e trabalha comigo há muito tempo. Mas temos que dar toda a estrutura, ajudar na parte escolar, acompanhar, ver a formação do rapaz ou da menina, ajudar na educação, transporte, alimentação. Queremos ter nutricionista, fisiologista... Estamos montando um projeto para depois irmos atrás de patrocinadores. Acredito muito, escolhi Londrina, que é meu porto seguro, e preciso ver se é possível realizar. Só colocar em prática quando tivermos certeza de que vai funcionar", explicou.


