Tacada certeira
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sábado, 20 de julho de 2013
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
É num gramado verdíssimo e aparado diariamente que o garoto Mateus dos Santos Venâncio, de 15 anos, sonha mudar sua vida. Com este cenário, ele bem que poderia ser mais um dos tantos candidatos a craque de futebol espalhados Brasil afora. Mas a bola que ele escolheu colocar para rolar é a de outra modalidade, que ainda está bem longe da popularidade do futebol: o golfe.
Há poucos anos, o garoto nem mesmo poderia imaginar que um dia vestiria camisa polo, luvas e bonés, e aprenderia a gostar de um esporte que ainda luta contra a fama de esporte de elite. E isso só foi possível graças ao projeto social "Golfe na Escola", que desde 2005 já aproximou mais de 300 crianças da modalidade, através de uma parceria do Londrina Golf Club, com a Associação de Proteção à Maternidade e Infância de Cambé (APMI).
E o que começou como uma brincadeira para o menino há seis anos, hoje é uma oportunidade profissional. "Estava na 3ª série quando comecei. Lembro que vim, achei tudo muito bonito e quis participar. Aos poucos fui pegando gosto, porque não é um esporte de tanto esforço físico, e agora quero ser profissional", detalhou o garoto. "É uma oportunidade de ter uma vida melhor, disputar grandes campeonatos e quem sabe até representar o Brasil nas Olimpíadas", vislumbra o menino.
E no que depender do projeto, ele pode continuar sonhando alto. Mateus será um dos primeiros talentos descobertos pelo "Golfe na Escola" a ter um apoio maior do clube, através de um plano especial para sócios-atletas, que já vinha sendo planejado há alguns anos e está prestes a ser colocado em prática pela nova diretoria. "Com isso, ele terá oportunidade de treinar mais vezes na semana e vai ter todo apoio para continuar", afirmou a coordenadora e idealizadora do projeto, Josiane Cristina Botti. Atualmente, o garoto treina apenas três vezes por semana.
São projetos e atitudes como essa, que, segundo o jogador profissional Marcos Silva, vão ajudar a afastar a imagem de esporte de elite do golfe e fazê-lo crescer no Brasil. "Estamos começando a desmistificar essa marca de elitização que o esporte possui. Só teremos atletas de alto nível quando o esporte for massificado", argumentou o londrinense, que joga golfe já há 20 anos e disputa os principais torneios do Brasil. Segundo Silva, o Brasil possui cerca de 100 jogadores profissionalizados, sendo que apenas 60 deles disputam competições regularmente.
Como o "Golfe na Escola" já existem dezenas de outros projetos com a mesma filosofia no país. Um dos pioneiros é o da Associação Golfe Público de Japeri, no Rio de Janeiro. O projeto, criado também em 2005, no primeiro campo público do Brasil, atende, atualmente, mais de 120 jovens cariocas. Outro exemplo que revela um interesse no crescimento do esporte em território nacional é o projeto Golfe Nota 10, criado pela Federação Paulista de Golfe (FPG). "E o mais importante é que essas iniciativas já não são isoladas e contam hoje com o apoio da Confederação (Brasileira de Golfe, CBG)", destaca Silva.
A inclusão do golfe no programa dos Jogos Olímpicos Rio 2016 é motivo de esperança para todos os praticantes e simpatizantes da modalidade. A realização do evento se torna um marco para a evolução do esporte no Brasil, sendo esperado o surgimento de uma maior adesão de novos jogadores.


