Tabela confusa do Brasileiro traz de volta classificação por pontos perdidos


MARCOS GUEDES
MARCOS GUEDES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O São Paulo chegou à última rodada do primeiro turno do Brasileiro, na virada para novembro, sete pontos atrás dos líderes. Mesmo assim, de alguma maneira, ainda tem a possibilidade de assegurar o título simbólico da metade inicial da competição.

Isso se explica pelas partidas atrasadas da equipe tricolor, adiadas por diferentes motivos. São três jogos a menos do que a maioria dos concorrentes, o que cria distorções evidentes na tabela de classificação nacional.



Essas distorções não se resumem ao São Paulo. Ao todo, 12 duelos foram desmembrados das suas rodadas originais por infecção de atletas pela Covid-19 e por dificuldades na montagem do calendário --apertado justamente pela paralisação do esporte na pandemia de coronavírus.

Desses 12, 7 já foram realizados. Pouco a pouco, as diferenças estão diminuindo, porém casos como o do clube do Morumbi continuam dificultando a leitura da tabela.

Por isso, jornalistas e torcedores recordaram um velho método de ranqueamento, o dos pontos perdidos.

Esse sistema era muito usado nos jornais antigos, em uma época na qual o desequilíbrio das partidas disputadas por cada equipe era bastante comum. Nesse cenário, fazia mais sentido contabilizar os pontos deixados para trás do que os conquistados.

Os pontos perdidos eram muitas vezes a bússola usada até mesmo ao término das competições. No fim do Torneio Rio-São Paulo de 1957, por exemplo, a Folha da Noite e a Folha da Manhã, diários que deram origem à Folha de S.Paulo, apontaram o Fluminense campeão com "2 pp.".

A equipe havia conquistado 16 pontos de 18 possíveis --a vitória valia 2. Ficaram pelo caminho apenas um ponto no empate por 3 a 3 com Botafogo e outro no 2 a 2 com o Santos, e foram esses os que apareceram na tábua final.

O sistema de classificação por pontos perdidos sobreviveu com aparições esporádicas até os anos 1990, quando ainda eram recorrentes as tabelas discrepantes. Depois disso, com as facilidades oferecidas pela informatização, tornou-se praxe que as tábuas viessem acompanhadas do aproveitamento de pontos.

Isso tem sido usado agora para apontar o São Paulo como o líder de fato do Brasileiro. Ao fim da 21ª rodada, o clube soma 36 pontos em 18 partidas. O Atlético-MG tem 38 pontos em 21 jogos e o Internacional, com 36 pontos em 21 participações, aparece à frente da formação do Morumbi na tabela tradicional por ter maior saldo de gols.

Em aproveitamento, os tricolores têm 66,7%, contra 60,3% dos alvinegros e 57,1% dos colorados. O Flamengo, até a 21ª rodada --neste final de semana está sendo realizada a 22ª--, tinha campanha semelhante à do Inter, apenas com um saldo de gols inferior.

Em pontos perdidos, a vantagem também é do São Paulo, que deixou 18 pontos para trás, contra 25 do Atlético-MG. Isso significa que os comandados de Fernando Diniz são os primeiros colocados por basicamente todos os critérios que não sejam o dos pontos ganhos.

Eles tentarão dar sequência à boa campanha em duelo com o Vasco, neste domingo (22), no Morumbi. A partida terá início às 16h, com transmissão da TV Globo.

Se vencer, o São Paulo ampliará o que Tristão Garcia chama de "aproveitamento de campeão". De acordo com o matemático, basta um aproveitamento de 66,7% para um time levantar a taça. Isso significa conquistar 2 de cada 3 pontos disputados.

Nunca no Brasileiro de pontos corridos o segundo colocado atingiu os 66,7%, exatamente o índice apresentado pela equipe tricolor hoje. O que significa, para Garcia, que basta a ela manter esse número para erguer o troféu.

"Criei a Lei de Tristão, que é uma bobagem, mas é válida. Até hoje nunca foi desobedecida. Quem faz dois pontos por jogo de média é campeão brasileiro. O campeão pode fazer mais, claro. Mas o vice não consegue fazer isso", afirmou o matemático.

"A grande chance dos perseguidores é o São Paulo perder essa média. Se ela continuar, os concorrentes não vão alcançar, segundo a minha lei. É uma situação bem confortável", acrescentou.

Para que seja atingida essa "média de campeão", em uma conta básica, um time precisa vencer todos os seus jogos dentro de casa e empatar todos fora. Não ocorre exatamente assim, é claro, mas esse é o parâmetro usado por Garcia para estabelecer o que ele chama de "média qualificada".

Se uma equipe atuou duas vezes em casa e uma fora, por exemplo, deve ter 7 pontos para atingir a média qualificada (3 em casa + 3 em casa + 1 fora). Hoje, o São Paulo é o único clube do Brasileiro em dia com essa média, mais um motivo que lhe dá boas possibilidades de erguer a taça.

Nos métodos de Tristão Garcia, a equipe tinha, até o início da rodada atual, 44% de chances de conquistar o título. Ela era seguida por Atlético-MG (17%), Internacional (9%), Flamengo (9%), Palmeiras (8%), Grêmio (8%), Santos (3%) e Fluminense (2%).



O Grêmio, que também tem um jogo em atraso e está em ascensão, tenta manter esse movimento neste domingo. Às 20h30, pega o Corinthians, em Itaquera (com SporTV).

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