Suzane Carvalho revela convite da F1 e busca título na etapa de Londrina da SuperBike
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sexta-feira, 25 de agosto de 2017
André Bueno<br>Grupo FOLHA 
O Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina, será palco neste domingo (27), da quinta etapa da SuperBike Brasil. Uma das estrelas da categoria é Suzane Carvalho, de 53 anos, que é ex-atriz, jornalista e instrutora de pilotagem. Em entrevista à FOLHA, a pilota que integra a Copa Honda CBR-500R comentou sobre as dificuldades que enfrenta dentro e fora das pistas. Suzane busca o seu terceiro título no motociclismo. Ela já foi campeã duas vezes na categoria máster e, é até hoje, a única brasileira a conquistar títulos em duas e quatro rodas. Ela ainda foi campeã na Fórmula 3, e entrou para o Guinness Book e para a Enciclopédia Barsa como a única mulher do mundo a ter um título na categoria.
Em 1988, aos 25 anos, Suzane teve a primeira experiência no kart. No ano seguinte, começou a competir e foi campeã brasileira da modalidade. A pilota passou pelas Fórmulas 1600, Fórmula Ford, Fórmula 2000 canadense e Fórmula 2000 italiana. Em 1992, conseguiu um marco inédito na história: foi campeã brasileira e sul-americana da categoria B da Fórmula 3. Na sequência, recebeu convites para correr na Fórmula 1, entretanto, não conseguiu participar por falta de recursos financeiros. Em 1999, Suzane correu na Indy Lights Pan-Americana.

"Acho que desde sempre senti vontade de pilotar. Quando eu tinha três anos já pedia ao meu pai para me levar a andar de carrinho nos parques de diversão. Depois conheci o kart e também queria andar. Não gostava de bonecas, mas de carrinhos. E ainda garota, eu adorava mexer em brinquedos, montar e desmontar, e também comecei a conhecer um pouco de mecânica. E quando ganhei minha primeira bicicleta, apostava corrida na rua com os garotos. Eu sempre fui muito competitiva", afirmou.
"Quando eu descobri que existia uma escolinha de kart, eu abandonei tudo o que estava fazendo e decidi seguir este caminho. Deixei para trás a carreira de modelo e atriz para estar aqui, fazendo o que faço hoje. Foram 14 anos dedicados ao automobilismo integralmente. Houve época que eu não comprava nenhuma peça de roupa para poder comprar parafusos, peças para o kart. Dedicação total", completou.
Interesse da F1/A dedicação e os títulos renderam à Suzane um destaque internacional e a pilota foi convidada para participar da Fórmula 1. Na ocasião, a brasileira contou os bastidores do convite. "A Fórmula 1 sempre gostou de ter algumas mulheres apenas para tirar fotos bonitinhas. A Fórmula 1 nunca teve interesse em ter uma mulher que realmente andasse rápido. Eu tive convites da Minardi e da Larrousse. Na Minardi, eu iria correr de graça, mas achei que era apenas para testar o carro. Houve um tempo que eu estive competindo por um lugar com pilotos como Ricardo Zonta, Enrique Bertholdo, Tarso Marques, mas faltou dinheiro. Além disso, eu não podia colocar nenhuma marca, nenhum patrocinador meu no carro. Assim, não foi possível. Até hoje, acho que eu teria conseguido ir bem. Mas é algo que não me incomoda. Muita gente com talento também não conseguiu chegar à F1. Não vou ficar triste por isso, não vou me abater. São coisas que fazem parte da vida e precisamos entender", explicou.

Suzane estreou em 2014 como piloto de motovelocidade, competindo na categoria Master da Copa Honda CBR 500R. Após dois títulos, a pilota, que é a atual vice-líder em sua categoria na SuperBike Brasil, enfatizou que falta mais divulgação para a entrada de mulheres no motociclismo. "Falta mais divulgação, chamar as mulheres para a pista. Elas ainda sofrem com o preconceito, acham que é coisa de homem, que é perigoso. Mas correr na pista é muito mais seguro do que andar na rua ou na estrada. Elas precisam vir, conhecer. Tenho certeza que vão gostar", finalizou.
Contudo, Suzane precisou enfrentar o preconceito por ser mulher em um mundo cercado por homens. "O preconceito existe e é muito grande, não só nas pistas como em todo lugar. Quando uma mulher passa por um homem andando na rua, ele acelera o passo para não ficar atrás. Quando estive na F3 e na Indy-Light, com pilotos mais maduros, a relação era bem tranquila. Mas em outras categorias, principalmente onde os pilotos andam mais por hobby, o preconceito é forte. Houve casos em que donos de equipes de kart mandavam trocar meu motor quando eu estava andando forte demais. Era algo escancarado", finalizou.
INSTRUTORA Uma das pioneiras das pistas no país, Suzane também é instrutora de pilotos (motos e carros) e também de direção de defensiva. Em 2003, ela montou o Centro de Treinamento de Pilotos Suzane Carvalho. "Eu sempre gostei de compartilhar conhecimentos e ensinar outras pessoas. Desde os tempos de automobilismo eu compartilhava informações do carro, do chassi, até mesmo com meus adversários, não via problema algum nisso. E, hoje, a situação no trânsito é uma catástrofe. Os motoristas e motociclistas querem passar todo mundo, não param nos semáforos e na maioria dos casos não entendem nada do carro ou da moto. Falta conhecimento para andar com mais segurança e evitar acidentes", declarou.

Questionada sobre as atuais leis de trânsito, Suzane salientou que multas e perca de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não conscientizam os motoristas. "As multas só mudam a cabeça de um número pequeno de pessoas. Além disso, muita gente dirige já sabendo onde estão os radares, usam até aplicativos, reduzem a velocidade e depois voltam a acelerar. As pessoas precisam ter consciência do que é andar em vias públicas, saber compartilhar os espaços públicos", argumentou.
"As pessoas precisam aprender a se respeitar no trânsito. E isso é coisa difícil de encontrar no brasileiro, o respeito. E treinar. Hoje, um motorista tira a carteira sem passar uma marcha, sem conhecer o carro. É preciso mudar a maneira como tirar a habilitação. Eu vou participar em breve de uma audiência pública sobre isso. A preparação precisa ser mais completa e eficiente. Assim, teremos melhores motoristas e motociclistas nas ruas, e com isso o risco de acidentes será bem menor", encerrou.
SUPERBIKE BRASIL Nesta quinta-feira (24), serão realizados treinos extras não cronometrados. Na sexta-feira (25), haverá os treinos livres cronometrados. No sábado (26), terá a formação dos grids de largada com a realização dos treinos classificatórios. Por fim, no domingo (27), acontecerá as provas da Honda Junior Cup, seguida pela Copa Honda CBR 500R, Yamaha R3 Cup, SuperBike (Categoria Principal), SuperSport, SuperBike Light, Categoria Escola 600cc e 1000cc, e Copa Kawasaki Ninja 300. Todos os dias as atividades de pista iniciam entre 7h e 8h da manhã, e terminam entre 17h30 e 18h.


