Londres - Numa decisão inédita, o Comitê de Ética da Fifa afastou nesta quinta-feira por 90 dias o presidente da entidade, Joseph Blatter, e o presidente da Uefa (associação europeia), Michel Platini.
Blatter é acusado de lesar os cofres da Fifa ao ter pago 2 milhões de francos suíços (R$ 8,3 milhões) ao ex-jogador francês em 2011. Ambos negam irregularidades.
A suspensão isola Blatter de vez do cenário do futebol 17 anos depois de chegar ao poder e, ao mesmo tempo, é um golpe na até então favorita candidatura de Platini à presidência da Fifa na eleição de 26 de fevereiro de 2016.
Prevendo a punição, Platini entregou na quarta-feira a documentação exigida para disputar o cargo. Enfraquecido, dependerá, não só do respaldo político, mas também da situação legal de sua candidatura, que será avaliada pelo Comitê Eleitoral da Fifa.
A punição é decorrência de investigação do Ministério Público da Suíça contra Blatter aberta no dia 24 e que inclui suspeita em torno de contrato de 2005 sobre direitos de TV na América Central. O Comitê de Ética é um órgão independente, chefiado pelo alemão Hans-Joachim Eckert.
O ex-secretário-geral da Fifa Jerôme Valcke também foi suspenso. Ele deixara o cargo em setembro após ser acusado de ligação a esquema ilegal de venda de ingressos.
Todos têm dois dias para apelar, mas a punição já teve efeito imediato: Blatter não preside mais a Fifa, nem Platini a Uefa.
O camaronês Issa Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol, assume a presidência interina da Fifa.

SAÍDA MELANCÓLICA


A suspensão de Blatter o tira de cena melancolicamente em meio ao maior escândalo da história da Fifa, que eclodiu em Zurique, em 27 de maio, quando sete cartolas, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marin, foram presos a pedido dos EUA.
Logo depois, Blatter foi reeleito para mais quatro anos, não aguentou o "terremoto" e convocou nova eleição. Queria aproveitar a transição para implementar reformas e entregar o cargo ao sucessor.
A pressão só cresceu, sobretudo de grandes patrocinadores, como Coca-Cola e Budweiser, que há uma semana pediram sua renúncia.
Em nota, Blatter disse ter ficado "decepcionado". Argumentou que não foi "ouvido" e que a suspensão é baseada em "ações equivocadas" do Ministério Público.
A Uefa ensaiou desafiar a Fifa e manter Platini no cargo, mas acabou recuando. O francês afirmou que vai contestar a decisão de puni-lo, a qual, segundo ele, foi baseada em "meras aparências". Alega que recebeu o dinheiro em 2011 por serviços prestados entre 1999 e 2002.
Ele não disse se desistirá de disputar A Fifa, mas afirmou que se "recusa a acreditar" que a suspensão visou atingir a sua candidatura.
Outra decisão anunciada pelo Comitê de Ética foi o banimento por seis anos do sul-coreano Chung Mong-joon, que também era candidato à presidência da entidade.
Ele é acusado de envolvimento no esquema de compra de votos na escolha das sedes das Copa de 2018 (Rússia) e 2022 (Catar). Ele nega.

mockup