Futebol -

Suspensão de competições muda rotina de jogadores no Brasil e no exterior

Atletas convivem com medo do coronavírus, isolamento da família e treinam em casa para manterem a forma

Lucio Flávio Cruz - Grupo Folha
Lucio Flávio Cruz - Grupo Folha

A suspensão de jogos e das competições em razão da pandemia do coronavírus mudou a rotina de atletas em todo o mundo. Em meio à recomendação da necessidade de isolamento, os jogadores de futebol se submetem a treinos específicos individuais, buscam maneiras de se manterem em casa e de superar a distância da família. 


Suspensão de competições muda rotina de jogadores no Brasil e no exterior
 

 

Se no Brasil a pandemia ainda está no começo, na Europa já atingiu o seu ápice. O continente foi um dos primeiros a fazer jogos com portões fechados e a suspender os campeonatos. Em Portugal, as competições foram paralisadas no dia 12 de março e não há previsão de volta. 



"O meu dia a dia é muito restrito. Faço sozinho pela manhã as atividades passadas pelo clube e já volto para casa. Só saímos em caso de extrema necessidade", afirmou o volante Romulo, negociado pelo Londrina no ano passado com o Portimonense.

"A cidade está praticamente toda fechada. Apesar de ser pequena, ela sempre teve um grande movimento. Só estão abertos mercados e farmácias e nos mercados só podem entrar 30 pessoas de cada vez. As pessoas estão levando muito a sério pela gravidade da situação". Localizada na região turística do Algarve, no sul de Portugal, Portimão tem pouco mais de 55 mil habitantes. Segundo o portal de notícias português Sul Informação, a cidade já tinha até ontem oito casos confirmados da Covid-19. 

O jovem maringaense Vitor Hugo, 17 anos, joga na Fiorentina da Itália desde o ano passado. Há duas semanas, o jogador voltou ao Brasil, mas os pais e o irmão seguem na Espanha, onde residem. Com passagens por outros clubes da Europa, entre eles o Atlético de Madrid, Vitor Hugo contou o drama vivido na Itália, país que registra o maior número de mortos pela Covid-19: 3,4 mil óbitos. 

"É uma situação muito incômoda. Todos estão com medo. Eu ficava 24 horas dentro de casa e até o treino eu tinha que fazer em casa. Só pode sair mesmo quem precisa comprar alimento, remédio ou precisa trabalhar", revelou. "E todos que saem de casa usam máscaras e luvas. Até duas semanas atrás conseguíamos treinar, mas quando Florença começou a ter muitos casos, o clube nos mandou voltar para o Brasil".

O medo da epidemia, a preocupação com os familiares e a distância do país de origem também afligem os atletas, impedidos de exerceram a profissão. "O meu receio maior é com a minha filha de um ano e oito meses. A gente sempre se preocupa em acontecer algo com ela, por isso não saímos mesmo de casa. Por nós, já teríamos voltado ao Brasil, mas dependemos de uma decisão do clube e também não sabemos quando as competições vão voltar. Acabamos ficando reféns da situação", comentou Romulo. 

LEC

O Londrina também suspendeu todas as atividades e liberou os atletas na última segunda-feira. Inicialmente, o clube marcou o retorno para o dia 1º de abril, mas a "folga" forçada pode ser prorrogada dependendo do estágio da pandemia. Apesar de vários atletas do LEC terem família em outras cidades, muitos ainda permanecem em Londrina e evitaram viajar.  

"O atleta sempre quer estar treinando e jogando, mas entendemos por ser uma questão de saúde pública", ressaltou o goleiro Matheus Albino, que mora com a namorada. "Minha família é de Curitiba. Meu irmão já parou de ir na faculdade, a minha mãe é professora e já parou também. Estão todos bem, mas em isolamento em casa". 

Albino relatou que tem percebido que o movimento na cidade já é bem menor e acredita que as pessoas estão realmente imbuídas em evitar a proliferação do vírus, se mantendo reclusas. "Todos precisamos respeitar as medidas, permanecer em casa e manter os hábitos de higiene", apontou. 

Sobre a perda da condição física e técnica pela suspensão dos treinos e jogos, o goleiro alviceleste falou como tem feito para amenizar o período de isolamento. "Dentro do possível, procuro cuidar da alimentação e fazer alguns trabalhos físicos em casa. Ainda não estamos nem no meio do ano e não sabemos como ficará a situação. Temos que nos cuidar", frisou Albino. 

Jogador de basquete do Paulistano é o primeiro atleta com coronavírus no Brasil

São Paulo - O jogador de basquete Maique, do Paulistano, tornou-se nessa quinta (19) o primeiro caso conhecido de um atleta que atua no Brasil a ter um diagnóstico positivo para o coronavírus.

De acordo com nota oficial do clube, o atleta foi internado com sintomas da Covid-19 na sexta (13). O resultado do teste saiu na terça (17), e Maique teve alta hospital na quarta (18).

Segundo o Paulistano, todos os atletas, integrantes da comissão técnica e funcionários do clube que tiveram contato com o jogador entraram em quarentena.

Dois jogadores de futebol brasileiros que atuam no exterior já receberam diagnóstico da Covid-19: Dorielton (Dori), do Meizhou Hakka, clube da segunda divisão chinesa, e Jonathas Jesus, do Elche, da segunda divisão espanhola. (Folhapress)

Após pregar quarentena, CR7 vai a shopping e é criticado na web 

Cristiano Ronaldo, 35, optou por não seguir as recomendações de permanecer em casa e saiu para fazer compras nos últimos dias com sua mulher, Georgina Rodríguez, em meio à pandemia de coronavírus. 

O jogador de futebol do clube italiano Juventus refugiou-se com sua família em um apartamento luxuoso em Funchal, na Ilha da Madeira, após seu companheiro de equipe Rugani revelar ter resultado positivo para o coronavírus, 

A atitude de não regressar à Itália já era criticada pelos italianos, segundo o jornal El País, mas nos últimos dias as reações aumentaram, após Cristiano Ronaldo ter sido fotografado fazendo compras em Funchal, enquanto os portugueses pedem para que todos procurem ficar em quarentena. 

A soma de fatores fez com que o jogador fosse criticado nas redes sociais por internautas que consideram a atitude pouco favorável no momento que estão vivendo, e até um certo exibicionismo de sua situação privilegiada. 

Em sua última publicação no Instagram, Cristiano Ronaldo recebeu comentários sobre sua atitude, uma vez que ele havia pregado o completo oposto: 

"O mundo está passando por um momento difícil que exige nosso maior cuidado e atenção. Hoje não falo como jogador de futebol, mas como filho, pai e ser humano, ciente dos eventos que estão afetando a todos. É importante que todos sigamos os avisos da OMS e das autoridades que lidam com essa situação. Proteger a vida humana está acima de outros interesses", afirmou ele na legenda da publicação, elogiando as ações dos médicos e funcionários de saúde. 



Desde então, o jogador não fez novas publicações nas redes sociais. Veículos de informação do meio esportivo afirmam que ele desaprova a forma como sua equipe italiana administrou a crise de saúde, segundo o El País. (Folhapress)

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito

Tudo sobre:

Últimas notícias

Continue lendo