São Paulo - A saltadora brasileira Maurren Higa Maggi saiu chorando da entrevista coletiva concedida no final da manhã de ontem, em São Paulo, quando falou pela primeira vez sobre caso de doping que acabou lhe tirando a chance de participar dos Jogos Pan-Americanos de São Domingos. A atleta soube pouco antes de entrar para a entrevista que a IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo) abriu processo contra ela. A partir de agora, Maurren está suspensa preventivamente e impedida de participar de qualquer competição oficial. Se for condenada à pena máxima, de dois anos de suspensão, a brasileira estará fora também das Olimpíadas de Atenas, no ano que vem.
Emocionada, Maurren Maggi afirmou que nunca teve a intenção de se dopar. Reafirmou que o resultado positivo foi consequência de uma pomada cicatrizante que usou após uma sessão de depilação e considerou o resultado do exame como sendo ''uma fatalidade''.
Maurren admitiu que foi descuidada. ''Eu me descuidei. Até mesmo porque no exame de doping do Troféu Brasil a gente tinha de declarar toda substância que tivesse ingerido ou injetado nos últimos 5 dias. Eu não citei a pomada porque achei que não fosse necessário. Não imaginei que tivesse um efeito desses. Eu fui ingênua'', reconheceu.
A atleta não quis transferir responsabilidades. ''Eu não culpo ninguém. Na verdade, eu faço essas essas coisas (sessões de depilação na virilha e axila, uso de batom e até mesmo maquiagem leve antes das competições) porque sou muito vaidosa. Eu gosto de me cuidar; de ir legal para as competições. Mas agora estou traumatizada. Não sei quando que eu vou conseguir me cuidar de novo'', disse ela. ''Mas parece que agora vou ter tempo...'', ironizou.
Maurren diz que ainda não parou para pensar o que vai fazer daqui para frente. ''Não sei o que vai ser do futuro. O que eu quero agora é sair dessa e provar minha inocência. Para mim, é impossível pensar em ficar dois anos sem competir'', disse, referindo-se à Olimpíada.
Ao responder sobre o impacto que a sua suspensão pode provocar no rendimento dos atletas brasileiros em São Domingo, em especial o pessoal do atletismo, ela não resistiu. Ao tentar responder, começou a chorar e foi retirada da sala pelo seu treinador, Nélio Moura.
Maurren Higa Maggi, 27 anos, era a maior esperança brasileira de medalha de ouro na prova de salto em distância e nos 100m com barreiras. Seu exame de doping realizado após o Troféu Brasil de Atletismo no dia 15 de julho, em São Paulo, mostrou resultado positivo para clostebol - um esteróide anabólico proibido pela legislação esportiva.
A atleta vai esperar o resultado de contraprova e apresentar defesa ao Tribunal da Confederação Brasileira de Atletismo. O caso, em seguida, vai para um comitê de arbitragem do Comitê Olímpico Internacional (COI). Não há prazo de tramitação do processo, mas Maurren espera que seja concluído em breve.
A atleta garantiu que vai continuar treinando visando os Jogos Olímpicos de 2004.

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