Se for aberto o processo por sonegação fiscal contra o atacante Romário, do Vasco e da seleção brasileira, o Ministério Público Federal (MPF) vai pedir uma ‘devassa’ nas contas do jogador no Brasil e no exterior. O objetivo da medida é verificar se o atacante também cometeu crime de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas. Na investigação da Polícia Federal (PF), há indícios de que Romário tenha utilizado contas no estrangeiro para burlar o fisco brasileiro. O artilheiro é suspeito de ter sonegado mais de R$ 1 milhão entre 1992 e 1994.
O MPF encaminha, hoje, recurso ao Tribunal Regional Federal (TRF) para que seja aceita a denúncia contra o atacante por sonegação fiscal, o que inclui um pedido de quebra do seu sigilo bancário. A juíza da 8ª Vara Federal Criminal Valéria Caldi Magalhães vai analisar o pedido no fim de semana para decidir se instaura um processo contra Romário.
A primeira denúncia do MPF foi negada por Valéria, mas, desta vez, há um documento da Receita Federal que comprova a sonegação de imposto de renda por parte do jogador do Vasco. Assim, o MPF acredita que dificilmente a reivindicação será rejeitada. A decisão da juíza deve ser anunciada no início da próxima semana. Se houver nova negativa, o caso será analisado por um desembargador do TRF.
Contas – Em depoimento à PF, em 1996, a ex-mulher de Romário, Mônica Santoro, garantiu que eles mantinham contas conjuntas na Espanha, Holanda e Suíça. Segundo ela, o atacante vascaíno estabelecera dois contratos para jogar no Barcelona. Um deles entre o próprio Romário e o clube e outro, entre o time espanhol e a empresa Broadrem Services LTD.
Os dois contratos tinham o mesmo objetivo: pagar os rendimentos do jogador, mas com valores diferentes.
O agente responsável pela Broadrem era Giovanni Branchinni, empresário do jogador na época. Segundo Mônica, em depoimento, o dinheiro recebido por este segundo contrato iria para uma conta na Suíça, em nome da Broadrem. Romário garantiu à PF que o seu salário era tributado na fonte.
Outra investigação gira em torno da venda de três imóveis da Romário Souza Faria Promoções para a empresa Osmatia International LTD, com sede nas Ilhas Virgens. O contador de Romário tinha uma procuração da Osmatia e suspeita-se que os imóveis foram negociados por preços mais baixos do que o normal.
Tranquilo – O jogador se diz tranqilo e não teme possíveis sanções. ‘‘Não estou devendo nada à Receita Federal e minha conta bancária está à disposição da Justiça para qualquer esclarecimento’’, disse Romário, ontem, na inauguração de seu centro de treinamento, em Campo Grande, no Rio.
Caso seja provado que fraudou a Receita Federal, ele pode ser condenado a 2 a 5 anos de prisão mais multa.

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