Atenas - A suspeita de uma bomba no vôo Roma/Atenas que trazia os ciclistas Luciano Pagliarini e Murilo Fischer atrasou cerca de duas horas a chegada dos atletas à cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2004 no final da tarde de ontem. Ainda em Roma, os passageiros precisaram voltar ao saguão do aeroporto e aguardar todas as bagagens serem revistadas.
''Dois passageiros não se apresentaram. Suspeitaram que pudesse ter alguma bomba no avião'', conta o ciclista araponguense, em entrevista exclusiva à Folha de Londrina. ''Acharam que pudesse ser um ato terrorista, mas não passou de um susto'', diz.
Pagliarini chega a Atenas um pouco abaixo de sua melhor forma. Durante o Giro di Itália, em maio, ele sofreu um grave acidente, que o deixou afastado dos treinamentos por cerca de 15 dias. Para piorar, logo depois que se recuperou do acidente, sofreu uma inflamação no joelho esquerdo por excesso de treinamento. Por isso, no final da preparação precisou diminuir o ritmo de treinos.
Com a chegada dos dois ciclistas a equipe brasileira de ciclismo masculino está completa. Márcio May já estava treinando em Atenas desde o último domingo.
Segundo o chefe de equipe, o londrinense José Luiz Vasconcellos, esta é a primeira vez que o Brasil consegue a classificação de uma equipe para a disputa dos Jogos Olímpicos. A classificação foi através do ranking das Nações. Os países que estivessem entre os 30 melhores do mundo, classificariam dois atletas, no caso, Pagliarini e Fischer. May conseguiu a classificação por estar entre os cem melhores no ranking da UCI - Federação Internacional de Ciclismo.
''Este é um avanço bem significativo. O ciclismo brasileiro avançou uns 20 anos de quatro anos para cá'', diz o dirigente, que descobriu o talento de Pagliarini para o ciclismo. ''Fui o primeiro treinador dele. É muito bom saber que uma figura descoberta lá no interior do Paraná é hoje a esperança de uma medalha olímpica'', diz Vasconcellos.
Em Atenas, o técnico da seleção brasileira será Mauro Ribeiro, campeão mundial (82) e único brasileiro a vencer uma etapa do Tour di France (91) prova mais tradicional do ciclismo mundial.
Para Ribeiro, o fato de Pagliarini estar há quatro anos disputando o circuito europeu como profissional é principal velocista da equipe italiana Lampre ajuda na hora da prova. ''Isso impõe mais respeito. O nosso cartão de visita é muito bom lá fora'', conta.
O principal desafio dos ciclistas brasileiros em Atenas será, segundo o treinador, o calor. ''A prova acontece às 12h45 (6h45 de Brasília), na hora do sol mais forte. A hidratação vai ser muito importante. O circuito não é complicado'', diz. ''Temos três corredores capazes de suportar uma carga bem intensa. Só não podemos nos afastar do pelotão da frente. A prova vai ser decidida nos últimos 40 quilômetros. Faremos trabalho de equipe para quem estiver em melhores condições''. (Colaborou Gilmar Agassi)

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