O maior vencedor da história do Campeonato Paranaense está fora da decisão da centésima edição do Estadual. E um time que neste ano participa pela primeira vez da elite do futebol das araucárias vai disputar a final.
Em pleno Couto Pereira, o Maringá, campeão da Divisão de Acesso de 2013, arrancou ontem um empate em 1 a 1 com o Coritiba, que soma 37 taças do Estadual e vinha de um tetracampeonato. Como havia vencido o jogo de ida no Willie Davids, na última quarta-feira, a Zebra se classificou para a decisão, na qual vai enfrentar o vencedor do confronto Londrina x Atlético. "Agora podemos pensar em título", disse o técnico Claudemir Sturion após o jogo de ontem em Curitiba.
A vaga na final do Paranaense confirma a rápida ascensão do time maringaense, que antes já havia se chamado Alvorada e Metropolitano: em apenas quatro anos, desde que foi fundado, em 2010, conquistou os títulos da Terceira e Segunda divisões e este ano foi a melhor equipe do interior na primeira fase do Estadual. Como semifinalista, já havia garantido vaga na Série D do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil de 2015.
A cidade de Maringá, que não tinha representante na Primeira Divisão do Paranaense desde 2008, com a desistência do Adap Galo Maringá de disputar o torneio no ano seguinte, viu o fim de outra incômoda escrita ontem: desde 1981, quando o Grêmio Maringá, hoje na Terceira Divisão, perdeu a decisão para o Londrina, um time da Cidade Canção não chegava à final do Estadual – em 2002, o Grêmio foi o segundo colocado, mas em um campeonato disputado por pontos corridos e sem a presença do Trio de Ferro curitibano.
Como não poderia deixar de ser, a classificação veio em um jogo sofrido. Precisando da vitória, o Coritiba pressionou o Maringá e perdeu um caminhão de gols. Logo nos primeiros minutos, o meia Alex acertou uma cabeçada que raspou o travessão. Aos 28 minutos, uma cobrança de falta do Menino de Ouro obrigou o goleiro Ednaldo a fazer uma bela defesa. O Coxa chegou a balançar as redes no final do primeiro tempo, com o zagueiro Chico, mas a arbitragem anulou o gol por impedimento.
No intervalo, o técnico coxa-branca, Dado Cavalcanti, tentou aumentar o poderio ofensivo do seu time ao sacar Carlinhos e Keirrison e colocar Geraldo e Júlio César. O Coritiba seguiu pressionando, mas quem movimentou o placar foi o visitante. Aos 14 minutos, em contra-ataque, Max cruzou com precisão para Cristiano testar para a rede. Foi o nono gol do atacante da Zebra, que agora divide a artilharia do Estadual com Giancarlo, do eliminado Paraná Clube.
Desesperado, o Coxa continuou perdendo gol atrás de gol. Aos 20, Alex, com o goleiro batido, chutou por cima. No minuto seguinte, Victor Ferraz tabelou na área e bateu no canto, mas Ednaldo salvou o Maringá. Foi tanta pressão que o gol finalmente saiu, em cabeçada de Luccas Claro, após cobrança de escanteio. Ainda não era suficiente. O Coritiba manteve a pressão, mas encontrava um Maringá bem postado, maduro, que sabia neutralizar as ações ofensivas dos donos da casa. Para piorar, no final do jogo, o Coxa ficou com um jogador a menos – Gil fez falta violenta e recebeu o segundo cartão amarelo.
Mesmo com cinco minutos de acréscimo, o Coritiba não conseguiu vencer a meta de Ednaldo uma segunda vez, resultado que levaria a decisão para os pênaltis. A Zebra passeou no gramado do Couto Pereira.

CORITIBA 1
Vanderlei; Victor Ferraz, Luccas Claro, Chico e Diogo; Gil, Robinho (Dudu Figueiredo), Carlinhos (Geraldo) e Alex; Roni e Keirrison (Júlio César). Técnico: Dado Cavalcanti

MARINGÁ 1
Ednaldo; Reginaldo, Juninho, Fabiano e Fernandinho (Diego); Zé Leandro, Serginho Paulista (Baiano), Léo Maringá e Max; Cristiano (Fábio Martins) e Gabriel Barcos. Técnico: Claudemir Sturion

Árbitro: Rodolpho Toski Marques
Estádio: Couto Pereira
Gols: Cristiano, aos 14, e Luccas Claro, aos 23 minutos do 2º tempo
Expulsão: Gil

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