Salvador - O pugilista baiano Acelino Popó Freitas surpreendeu o público da noitada de boxe promovida por sua empresa, a BoxeBrasil, ao subir ao ringue na madrugada de ontem para anunciar o fim da carreira vitoriosa de campeão do mundo. Voz embargada, olhos marejados, Popó estava vestido de paletó e gravata, como convém a sua nova função de empresário do boxe.
''A partir de agora, só vou promover eventos. Vocês não vão ver mais o Popó em cima do ringue, lutando'', afirmou, para a platéia do ringue improvisado em um hotel da orla de Salvador. Habituado a emocionar-se com facilidade, Popó teve problemas para terminar as frases, pois a cara de choro impedia a articulação das palavras. ''O primeiro carro, a primeira casa...Devo tudo, tudo a vocês e ao boxe.''
O campeão dos leves da Organização Mundial de Boxe (OMB) tomou a decisão após desentender-se com seu empresário Arthur Pellulo em relação à programação da luta pela unificação dos cinturões com o campeão da Federação Internacional de Boxe, Julio Diaz. Pellulo antecipou-se ao pugilista e já havia divulgado o combate para janeiro, contrariando desejo de Popó, que pretendia lutar em março.
Nos planos do baiano estão o Projeto Social Acelino Freitas, entidade beneficente localizada no Arraial do Retiro, em uma região pobre de Salvador, e o desenvolvimento da BoxeBrasil, que, segundo ele, continuará promovendo lutas e descobrindo talentos da Bahia para o boxe internacional.
O boxeador baiano deixa o ringue com uma coleção de quatro cinturões de campeão do mundo, o que o leva a tornar-se um dos principais vencedores da história do pugilismo brasileiro. O primeiro cinturão mais representativo foi o mundial super-pena pela OMB, conquistado em 7 de agosto de 1999, ao vencer o russo Anatoly Alexandrov, nocauteado no primeiro assalto, uma das características do perfil de Popó.
Dono de um cartel superior ao de Mike Tyson, 29 nocautes em 29 lutas, Popó encerra a carreira com 38 vitórias, sendo 32 por nocaute, e apenas uma derrota, para o norte-americano Diego Corrales, de quem desejava uma revanche que jamais poderá acontecer. Ao derrotar o cubano Joel Casamayor, em 12 de janeiro de 2002, Popó unificou cinturões super-pena.

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