Curitiba - Os jogos não foram dos melhores: teve o 0 a 0 de Irã e Nigéria, o pior jogo da Copa até agora; teve o duelo entre Honduras e Equador, que valeu muito mais pela festa das torcidas latino-americanas que pela qualidade do espetáculo; o confronto de eliminados entre Austrália e Espanha, que propiciou, ao menos, uma apresentação digna dos campeões do mundo e o jogo mais importante, ontem, que valeu a vaga da Argélia para a segunda fase, mas ficou muito longe de ser um jogo tecnicamente interessante. Mesmo assim, Copa do Mundo em Curitiba já está deixando saudades. Com o empate em 1 a 1 entre Argélia e Rússia, a Arena da Baixada despediu-se da Copa.
O sentimento de fazer parte da Copa do Mundo poderia durar mais tempo para os curitibanos caso a seleção espanhola não decepcionasse sendo eliminada na primeira fase. Com os campeões do mundo hospedados aqui, torcedores, jornalistas, voluntários e organizadores permaneceriam na cidade enquanto durasse a participação da Espanha, mas Casilas, Xavi, Iniesta e companhia já retornaram para a Espanha antes mesmo do jogo de ontem. Agora é acompanhar o restante do mundial pela televisão ou na Fan Fest (o que sobrará da Fifa na cidade) e guardar na memória os dias que a capital do Paraná foi a capital mundial do futebol.
Foram 11 dias de muita festa na cidade, com mais de 150 mil pessoas indo à Arena da Baixada e outras centenas de milhares acompanhando os jogos nos bares, na Fan Fest e curtindo a presença das seleções e de seus torcedores na cidade. Mais de 50 mil estrangeiros passaram por Curitiba: australianos, equatorianos, hondurenhos, espanhóis, lotaram a cidade e a Arena, para ver suas seleções, mas ingleses, americanos e colombianos também passaram pelo município em busca das emoções do mundial.
Foram dias das mais legítimas manifestações de espírito esportivo e amor ao futebol, com torcidas adversárias convivendo pacificamente nas ruas e no estádio, não só torcedores das seleções que se enfrentavam na Arena, como atleticanos, coxas-brancas e paranistas, com torcedores de seleções eliminadas dando show de animação e mostrando que o futebol é muito mais que ganhar ou perder.
"Já estou com saudades, é uma emoção indescritível. Eu vi uma Copa do Mundo", disse Juliana Ivatiuk. "Ficou para a história, foi sensacional, nunca vou esquecer da torcida do Equador fazendo festa na cidade", emendou.
Para o professor de educação física Igor Antônio Barcelos Prestes, tudo o que ele esperava de uma Copa do Mundo conseguiu viver nesses dias. "Copa do Mundo é isso, a união dos países, todo mundo junto, tentando se comunicar, confraternizando. A cidade ganhou muito em receber o mundial, apesar de todos os problemas que antecederam a Copa, como os atrasos das obras e os gastos, o saldo é positivo. Fica o gostinho de quero mais. O clima que envolveu a cidade nestes dias, dificilmente se repetirá".
E os estrangeiros também foram só elogios para o mundial em Curitiba e no Brasil. "O país é lindo, a cidade é maravilhosa, o pessoal de Curitiba torceu para a Argélia, foi incrível", disse o argelino Nordin Imadouche, que está seguindo sua seleção em todos os jogos no Brasil. "Nós vamos ser campeões. Vamos ganhar da Alemanha, depois da França e do Brasil. Depois do que vimos hoje, tudo é possível", disse, eufórico com a classificação para as oitavas de final.

EM CURITIBA

ARGÉLIA 1
Mbolhi, Mandi, Belkalem, Halliche e Mesbah; Medjani, Bentaleb, Feghouli, Brahimi (Yebda) e Djabou (Ghilas); Slimani (Soudani). Técnico: Vahid Halilhodzic

RÚSSIA 1
Akinfeev; Kozlov, Berezutskiy, Ignashevich e Kombarov; Glushakov (Denisov), Fayzulin, Samedov e Shatov (Dzagoev); Kokorin e Kerzhakov (Kanunnikov). Técnico: Fabio Capello

ÁRBITRO: Cuneyt Cakir (Turquia)
ESTÁDIO: Arena da Baixada
GOLS: Kokorin, aos 5 minutos do 1º tempo; Slimani, aos 14 minutos do 2º tempo
PÚBLICO: 39.311 presentes

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