Rio - A renúncia de Joseph Blatter, apenas quatro dias depois de ter sido eleito para mais um mandato na presidência da Fifa, pegou Marco Polo Del Nero de surpresa. Embora tenha consciência da gravidade da situação com o estouro das denúncias de corrupção, ele não esperava uma atitude radical do suíço tão rapidamente.
Del Nero soube da renúncia no início da tarde, após almoço com jogadores tricampeões mundiais, e demonstrou preocupação. Considerou uma "bomba" e reuniu-se com os principais diretores da entidade para avaliar as consequências da decisão. Está preocupado, mas continua apostando que a avalanche não chegará a seu mandato na CBF.
A reportagem conversou com o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, que estava com Del Nero quando a notícia da renuncia chegou. Ele não quis entrar em detalhes sobre a reação do presidente da CBF, mas reconheceu que a saída de Blatter representa um grande impacto. "Temos de entender o gesto dele, agiu de acordo com os preceitos da Fifa", disse.
De acordo com o secretário-geral, Marco Polo não se deixará levar pelas pressões para que renuncie. "Em relação ao Del Nero não existe nenhuma acusação. Não existe nada que justifique uma reação nesse sentido, não há motivo para isso (a renúncia). Teve a acusação contra o (José Maria) Marin. Nós o afastamos porque existiu a denúncia."
O fato, porém, é que Del Nero está buscando apoio entre os seus aliados para tentar se fortalecer. Ontem o dirigente se reuniu à tarde com presidentes de federações estaduais na sede da CBF. (A.E.)

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