No topo de uma montanha sem nome, isolada em um interminável deserto gelado, acessível apenas por helicóptero, os brasileiros Oskar e Leonardo Metsavaht se depararam com um drop (descida) inicial de 52º de inclinação, sem dúvida o mais radical de suas vidas: ‘‘Nesta inclinação temos que descer com muito cuidado, evitando ser pegos pela avalanche provocada por nossas próprias pranchas. O local que se escolhe para a curva, o momento exato do giro do corpo e a pressão sobre a prancha são decisivos. Não há chances para erros! Uma queda significa despencar até a base da montanha...’’, revela Oskar, que em toda a sua jornada contou apenas com duas essenciais ferramentas: técnica e instinto...
Uma aventura de outro mundo! Longe da civilização, sobrevoando as maiores áreas inabitadas do planeta, com sinais do homem em apenas 0,5% do território, os pioneiros irmãos Metsavaht chegaram ao distante Alasca, com a missão de concluir a segunda etapa de seu ambicioso projeto: a Trilogia ‘‘Surfing the Monutanins’’, envolvendo os picos: Pucón, sul do Chile, a cadeia montanhosa de Chugach, na distante Alaska, e o Himalaia, este último programado para 2002.
Aventura para poucos
Há poucos lugares no mundo que reúnam tantas montanhas de qualidade para a prática do snowboard. Conhecida como a terra da aventura, o inóspito Alasca sempre atraiu homens de indomável espírito seduzidos pelo desafio da sobrevivência: aconteceu num passado não tão distante na corrida do ouro de 1899 e, hoje, seduz ousados aventureiros na busca da mais pura emoção.
Com uma paisagem totalmente adversa de sua terra natal, de montanhas, geleiras e bosques de pinheiros, os brasileiros sobrevoaram com um pequeno avião cumes nevados, procurando e observando faces das montanhas propícias para o surf na neve. É fim de inverno no hemisfério norte, mas os incontáveis lagos da região permanecem congelados até o verão, servindo como campos naturais de pouso para as aeronaves. Voar aqui é uma necessidade. A apreensão na hora da aterrissagem é grande: na verdade a pista branca é enorme campo minado por fendas de gelo que se escondem na textura e densidade da neve.
‘‘O avião se vai, deixando-nos sós nas montanhas que tanto sonhamos. Enquanto subimos a íngreme ladeira, sentimos um misto de satisfação e ansiedade, um paradoxo entre o desejo de conquista e a noção exata da nossa vulnerabilidade...’’, relata Oskar, e continua: ‘‘Em certas expedições a viagem fica introspectiva. Passagens da vida vem à tona e lembramos, com meu irmão, das primeiras aventuras e aspirações da infância.’’
A modalidade de alcançar picos caminhando e escalando é conhecida como hiking. Esta primeira experiência correu tranquila, sem imprevistos, mas a ausência de um colega local experiente nessa montanha foi sentida. Progredir com velocidade em terreno desconhecido eleva a adrenalina às alturas!
Avalanches inesperadas
Oskar não teve a mesma sorte na segunda oportunidade, quando contaram com a ajuda de um snow cat, trator de neve, que os levaram para um outro cume. Já na subida, começou a nevar, para os snowboarders é um presente dos Deuses, pois vem a certeza de que haverá powder (neve virgem) na montanha. Mas no meio da descida o tempo fechou novamente e as nuvens no céu causaram o fenômeno flatlight: tudo fica branco! Perde-se a noção de profundidade na neve e qualquer depressão ou desnível passam desapercebidos. Nesse momento, Oskar entrou numa lâmina de gelo: ‘‘perdi o controle e despenquei montanha abaixo. Quando recuperei o equilíbrio, aconteceu o que mais temia: uma avalanche provocada pela minha descida me pegou pelas costas, fazendo-me experimentar a minha mais longa e fria expectativa...’’ Passado o susto, continuaram a descida pela face oeste, como haviam programado, para assim alcançarem a estrada.
A proximidade do Pólo Norte causa variações climáticas extremas. Um dia quente pode mudar rapidamente. O vento pode trazer nuvens carregadas em questão de minutos.
Caminhando pela estrada, eles pararam mais longe do que o previsto, a nevasca piorara, já estavam com pouca luminosidade, e a temperatura caíra radicalmente. Metros adiante, passaram por uma placa, à beira da estrada, indicando avalanches iminentes... A salvação ficou por conta de Tim, do snow cat, que percebeu o desvio dos brasileiros e foi ao encontro deles.
Helisurf, a hora da verdade
A aventura ganhara um importante aliado: o helicóptero. Mesmo com a quantidade de pilotos acostumados a lidar com situações extremas, são poucos os pilotos que se arriscam em levar os snowboarders aos cumes nevados. Sem dúvida, é um exercício que exige muita habilidade ao controlar a nave contra os fortíssimos ventos ascendentes entre as breves janelas de sol. O clima é mesmo imprevisível. Neste caso, os irmãos Metsavaht, contaram com o privilégio de surfar com o famoso local Nick Perata, nos picos mais alucinantes e escondidos da Terra. ‘‘Com um guia como Nick, nos entregamos à neve e à deliciosa descida... Uma das montanhas percorridas serve de sede para o campeonato mais almejado da tribo, o King of the Hill, quando os melhores snowboarders de cada país entram em disputa. É um paraíso: neve perfeita, longas descidas e campo de visão enorme...’’
Box: SERVIÇO
A Osklen, fábrica de moda esportiva de Oskar Metsavaht, é uma das principais marcas que apóiam o snowboard brasileiro. Contato: Terra de Aventura [0xx21] 219-8967
Sites interessantes de Snowboard
- - www.osklen.com
- - www.snowboard.com
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