Suposto mentor da máfia do apito nega acusações
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quarta-feira, 21 de setembro de 2005
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Acusado pelo árbitro Evandro Rogério Roman como um dos mentores da ''máfia do apito'' que manipula resultados por encomenda no futebol paranaense, Amorety Carlos da Cruz negou ontem saber de tal esquema e avisou que vai entrar na Justiça contra Roman. ''Ele (Roman) que dê nome aos bois e traga os chifres, que traga provas. Eu estou fora da arbitragem há sete anos e apitei durante 20 anos. Nunca vi nada disso que ele falou'', replicou ontem Amorety, que atualmente está aposentado e é presidente do Sindicato dos Árbitros do Paraná.
Amorety esteve ontem na sede da Federação Paranaense de Futebol (FPF) para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de Roman, que também acusou de corrupção os árbitros Antônio Salazar Moreno, Carlos Jack Rodrigues Magno, Marcos Tadeu da Silva Mafra, Sandro César da Rocha e José Francisco de Oliveira, o Cidão. Todos estariam envolvidos na ''compra de resultados'' da Série Prata do Campeonato Paranaense, em esquema revelado pelo presidente do Operário de Ponta Grossa, Silvio Gubert, e confirmado por Cidão, que atualmente mora em Londres.
Amorety acha que a inclusão de seu nome na denúncia seja perseguição, devido ao fato de ser presidente do Sindicato dos Árbitros. ''Que tem coisa por trás, tem. Até o presidente da Federação (Onaireves Moura) não quer o sindicato de jeito nenhum. Não sei porque ele (Roman) está fazendo isso, mas deve ser 'cobra mandada''', acusou.
Ontem, Antônio Salazar Moreno também disse não conhecer o esquema denunciado por Roman. ''Estou abismado e estou enviando uma carta para o tribunal (TJD). Desconheço totalmente o que ele falou e ele será acionado tanto na esfera esportiva quanto criminal'', afirmou.
A Folha tentou ouvir os outros quatro árbitros acusados por Roman, mas nenhum deles foi encontrado.
Na mira do STJD O presidente do TJD, Bôrtolo Escorssim, será investigado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O motivo é o uso irregular de uma conta bancária para receber multas dos processos jurídicos do futebol paranaense.
Escorssim admitiu que a prática é ilegal e justificou a criação da conta, em agosto de 2004, para facilitar o pagamento das multas e porque a movimentação bancária da FPF estava bloqueada. Ele também disse que o dinheiro arrecadado serve para arcar com os gastos do escritório do TJD, como ajuda de custo para secretário, lanches, água e café.
''Tenho 30 anos de carreira e não iria me sujar por R$ 100. Essa é uma conta poupança que é regularmente conferida pelo Pleno do tribunal'', disse. A partir de agora, a conta será cancelada e todos os pagamentos de processos jurídicos deverão ser feitos em espécie na sede da FPF.
Mentira De acordo com o auditor do TJD, Octacílio Sacerdote Filho, o ex-vice-presidente da Comissão de Arbitragem Paranaense, Antônio Carvalho, ''mentiu'' durante o depoimento a portas fechadas, realizado na tarde de quarta-feira, na sede da FPF.
Carvalho tentou explicar a movimentação suspeita de uma conta bancária supostamente utilizada para pagar árbitros no esquema de corrupção da arbitragem na Série Prata. No entanto, não conseguiu comprovar que sua conta foi encerrada em abril deste ano, como alega, já que há fortes indícios de que a mesma vinha sendo utilizada até a semana passada.


