Agência Estado
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Velloso trabalhou forte ontem, e quer fechar o gol no domingo Não são as manias, mas religião o aspecto metafísico mais forte entre os comandados de Luís Felipe Scolari. O próprio treinador diz não ser supersticioso, mas há anos ele reza para dois santos antes de cada partida: Nossa Senhora do Caravaggio e Santo Antônio.
A fé na Nossa Senhora da Itália vem desde os tempos que dirigia o Juventude, de Caxias do Sul na década de 1980. ‘‘Em Caxias há uma capela com essa santa e a diretoria do Juventude tinha o hábito de levar as camisas do clube para o padre local benzer’’, explica o técnico. ‘‘Já o Santo Antônio é o preferido da minha família’’, diz.
Esta atitude comprova que no Palmeiras parece não haver espaço para mandiga ou mania. A maioria dos jogadores desconversa quando perguntada sobre qual é o ritual feito antes de cada partida. ‘‘Só faço uma oração’’, afirma o lateral-esquerdo Júnior, que nem pisou com o pé direito quando entrou no gramado do Centro de Treinamento. Já Oséas prefere não arriscar: ‘‘Entro em campo pisando com pé direito e pensando em Deus, que é para não trazer má sorte.’
O zagueiro Cléber e o atacante Euller são outros que ‘‘deixam na mão de Deus’’ a sorte da partida. ‘‘Se estamos com Deus, quem pode estar contra?’, pergunta Cléber. O centroavante Viola é outro que diz não ter superstições, mas confessa: ‘‘Toda vez que entro em campo me benzo três vezes’’. O ritual do jogador é tão bem ensaiado que alguns jornalista que o entrevistavam pediram para ele repetir o gesto: três sinais da cruz, três batidas no peito com a mão aberta e, encerrando, o dedo indicador apontando o chão. ‘‘Sempre faço isso’’, diz Viola tentando explicar o que parece inexplicável: manias. ‘‘Talvez tenha a ver com meu jeito, minha fé e apontar o caminho para o gol’’, comenta.
Vasco O time do Vasco não conta apenas com a habilidade de Edmundo, o vigor físico de Odvan e a segurança de Carlos Germano. Forças ocultas também entram em campo para dar uma ‘‘ajuda’’ à equipe. Orações, trabalhos de umbanda e pequenas superstições dividem com o trabalho físico e técnico a importância do sucesso do time.
Misto de massagista e guia espiritual, Eduardo Santana, ou Pai Santana, se transformou numa referência em São Januário. Santana, que se converteu ao islamismo, cinco anos atrás, quando foi trabalhar no futebol árabe, diz que a religião não conflita com a umbanda. Para ele, o que importa é a fé. ‘‘Faço os meus trabalhos independente de ser decisão ou não, mas, nessas horas, a gente capricha.’
Os ‘‘trabalhos’’ de Santana ficaram conhecidos nos jogos contra o Flamengo. Num dos confrontos decisivos do Campeonato Carioca, Santana botou uma cabeça de porco no vestiário rubro-negro, sem ninguém perceber. O time do Flamengo não conseguiu fazer nada naquele jogo. Lenda ou não, para quem acredita em superstição, pequenos gestos, roupas repetidas, palavras de apoio fazem diferença quando não são feitos.
O técnico Antônio Lopes, católico a ponto de exibir um relógio com a imagem de uma santa, não deixa de lado suas crendices. Durante a maioria dos jogos do campeonato, Lopes usou a mesma camisa verde. Diz que se ela não traz sorte, pelo menos não dá azar.
O atacante Evair lidera o grupo dos ‘‘Atletas de Cristo’’ vascaínos. É em seu quarto, na concentração, que César Prates, Caetano, Odvan e Tinho juntam-se, diariamente, para orar e pedir força para o grupo. ‘‘Estando com Cristo, nada nos impedirá de vencer’’, sentencia Odvan. O lateral Felipe faz das orações seu principal gesto de credo. Porém, deixa escapar que só entra em campo com o pé direito, gesto comum entre os jogadores. O goleiro Carlos Germano também tem as suas manias: usa camisa azul desde os três últimos jogos da primeira fase.

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