São Paulo - Um ato contra o racismo marcará hoje a partida entre Florianópolis e Campinas, pela Superliga de Vôlei Masculino. A idéia da equipe catarinense é lançar em casa sua campanha contra o preconceito. Os jogadores usarão pulseiras brancas e pretas e serão distribuídas camisetas no ginásio.
O motivo da manifestação são as supostas agressões sofridas pelo atacante Dirceu em partida em Bento Gonçalves (a 109 km de Porto Alegre), no sábado. O time local foi derrotado por 3 sets a 1.
As ações racistas, no entanto, não foram ouvidas pelo delegado da partida nem registradas em seu relatório, entregue à Confederação Brasileira de vôlei.
Dirigentes e jogadores da equipe de Florianópolis não procuraram os juízes para reclamar de racismo durante ou após a partida. ''Não tinha o que reclamar. O que o árbitro pode fazer, mandar a torcida se calar?'', disse Marcelo Vanzeloti, presidente do clube.
Segundo ele, sempre que ia sacar, Dirceu ouvia gritos de ''macaco'', ''película'' (como sulistas chamam o insulfilm) e ''negrão''.
Depois do jogo, quando parou próximo à arquibancada, o atacante também teria levado um tapa na cabeça, o que gerou confusão entre os atletas do time, torcedores e dirigentes.
Vanzeloti disse que Dirceu não daria entrevistas por estar ainda muito nervoso. Foi feito boletim de ocorrência, mas o presidente preferiu que Dirceu não registrasse queixa por racismo. ''Não quero que ninguém vá para a cadeira'', afirmou.
A versão da arbitragem, no entanto, é diferente. ''Só fiquei sabendo dessa história de racismo ontem. Não ouvimos nada e não houve nenhuma colocação sobre isso. O que a arbitragem viu está com a CBV. Cabe a ela examinar e decidir se o regulamento foi cumprido'', afirmou Pedro Paulo Santa Maria, delegado da partida.
A equipe de Bento Gonçalves também contesta a informação. Entre os documentos que enviou à CBV está uma fita com entrevista de Dirceu declarando que tudo correu bem durante o jogo.

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