Enquanto o Paranaense não começa, os atletas da equipe de Londrina acompanham os momentos decisivos da final entre Falcons e Patriots
Enquanto o Paranaense não começa, os atletas da equipe de Londrina acompanham os momentos decisivos da final entre Falcons e Patriots | Foto: Marcos Zanutto



A 51ª edição do Super Bowl coloca frente a frente no domingo (5) o grande time do futebol americano nos últimos 15 anos e um verdadeiro azarão. New England Patriots é a equipe da moda e o Atlanta Falcons busca um título inédito na história da franquia. A grande final acontece em Houston, no Texas, às 21h (horário de Brasília).

O Super Bowl mexe com os Estados Unidos, mas chama a atenção também em diversos outros países. No Brasil e em Londrina não é diferente. A equipe do Londrina Bristlebacks aguarda com muita ansiedade o jogo final. A FOLHA conversou com alguns jogadores da equipe londrinense sobre um dos eventos esportivos mais aguardados de todos os anos.

Entre os mais de 50 jogadores do elenco, a paixão é bem dividida pelas grandes franquias do futebol americano. Há torcedores dos Patriots, New York Giants, Green Bay Packers, Dallas Cowboys, Seattle Seahawks entre outros. Mas, neste Super Bowl todos são unânimes em afirmar: ou você é Patriots ou você torce contra. "É como se fosse o Corinthians. A rejeição realmente é grande", compara Renan Anciota, 26 anos e que atua no Bristlebacks desde 2015.
Torcer contra os "Pats", como o time de Foxborough, no Massachusetts, é chamado, se tornou uma rotina dos adversários a partir do início dos anos 2000, quando o clube entrou no rol das grandes franquias da NFL. De lá para cá foram 14 títulos de divisão, seis de conferência e quatro títulos do Super Bowl (2002-2004-2005 e 2015).

O período dourado se deve muito ao trabalho do técnico Bill Belichinck e, principalmente, ao quarterback (armador) Tom Brady, considerado por muitos um dos maiores jogadores da história da NFL. "A equipe cresceu muito nos últimos anos e por isso os rivais nos denominam de torcedores clubistas, da moda. Nos chamam até de 'Giselos'", se diverte o torcedor dos Partriots, Fernando Ohashi, presidente da equipe londrinense, em uma referência à modelo brasileira Gisele Bündchen, esposa de Brady.



Aos 39 anos, o quarterback é amado pelos fãs dos Patriots, mas também odiado por muitos. Ninguém, porém, discute a genialidade do jogador, que é o grande trunfo da franquia para conquistar mais um Super Bowl. O New England quer se igualar ao San Francisco 49ers e ao Dallas Cowboys, que soman cinco conquistas. O maior vencedor da NFL é o Pittsburgh Steelers, com seis.

"Apesar da idade, ele não oscila. Claro que tem um bom time por trás também. Mas, ele é acima da média", afirma Leandro Ferreira, um dos mais experientes da equipe londrinense.
O Atlanta Falcons só esteve uma única vez no Super Bowl, na 33ª edição, e perdeu para o Denver Broncos por 34 a 19. Mesmo não sendo apontado como favorito, em um Super Bowl tudo pode acontecer. "Se eles não tivessem qualidade, não chegariam aos playoffs. No futebol americano, todos precisam fazer a sua parte. A equipe tem que funcionar como um relógio, uma engrenagem. Ninguém ganha sozinho", aponta Zé Mário, que atua como offensive line.

EM ALTA
No Brasil já existem mais de 150 clubes filiados a Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) e diversas competições regionais e nacionais são realizadas todos os anos. Ao mesmo tempo que a modalidade ganha novos adeptos, a fama de esporte violento também vai ficando para trás. "Para qualquer novo atleta que vem nos procurar mostramos que o nosso trabalho é sério e que o futebol americano tem filosofia totalmente oposta a violência", afirma o presidente do Bristlebacks.

Para quem imagina que só os "fortões" e os "grandões" podem jogar o futebol americano, a realidade é bem diferente. "No passado muita gente queria jogar para dar pancada, hoje as pessoas vêm para conhecer. Muito mais do que pancadaria e força bruta, o futebol americano é um jogo de conquista de território onde vale a estratégia e o estudo", ressalta o educador físico Rafael Oliveira, um dos jogadores do time londrinense. "No último Paranaense, nosso time tinha uma das médias mais baixas de peso entre os participantes. Usamos mais técnica do que força", frisou Zé Mário.

Imagem ilustrativa da imagem Super torcida
mockup