Neste final de semana, muitos atletas choraram no Ginásio do Moringão em Londrina, mas as mães não viram. Uns de alegria, outros de tristeza... quase todos com dores, muitas dores, ao final das centenas de combates válidos pelo Campeonato Paranaense de Taekwondo, que distribuiu o direito dos vencedores participarem do Campeonato Brasileiro, em Porto Alegre. Os cerca de 700 atletas - entre garotada e aqueles já experientes - de 60 municípios do Estado deram show de técnica e mostraram porque o taekwondo paranaense é um dos mais respeitados do país, ainda que isso não torne o caminho deles menos duro.
De Curitiba veio o exemplo das irmãs Juliana Ribeiro, 29 anos, e Emily Gabriely Ribeiro, 12. Em sua primeira grande competição, a caçula garantiu lugar no Brasileiro na categoria até 34 kg. ''Foi difícil porque minha adversária chutava muito com a direita'', valorizou a atleta, exausta ao lado da irmã, que também é treinadora, mestra, conselheira, fã... ''Minha mãe não deixava ela lutar porque achava muito violento, mas viu que tem a agressividade, mas também tem técnica e percebeu que a Emily é muito talentosa'', falou a mais velha, que treina há 15 anos e tem de se dividir entre ser professora da academia onde treina e a função de segurança em eventos: ''Por ela, faço tudo o que puder.''
Os desafios cotidianos foram o de menos para o cascavelense Leandro Martins, 13, campeão entre os atletas de até 52 kg. Na última luta, ele e o adversário saíram do dojô direto para a fisioterapia. ''Chutei duas vezes o cotovelo dele e machuquei o pé'', apontou o menino que quer ''fazer carreira no esporte'', mas, enquanto a fama não vem, ainda precisa de uma ''ajudazinha'' dos pais. A família não acompanha, mas também dá aquela forcinha para Bruna Botelho, 11, que também treina com a irmã Ana Carolina, em Pato Branco. ''Vou continuar porque meu sonho é me tornar faixa preta e disputar as Olimpíadas'', avisou.
Após duas décadas dedicadas ao esporte, o londrinense Antônio Carlos Tobias Júnior, 24, o ''Tchê'', conhece bem a importância dos familiares, que sempre o ajudaram. Com experiência nacional e internacional, o atleta desistiu de ganhar dinheiro lutando, mas ontem faturou a categoria adulto, até 68 kg. ''Hoje luto por hobby'', admitiu. Mas, segundo ele, os atletas atuais têm bem mais chances de progresso porque ''existem projetos que apoiam quem está começando.''
Da categoria até 87 kg, Fernando Moreira, 25, disse que os projetos aumentaram, a estrutura melhorou e o nível dos atletas subiu. Mas, completou, ainda falta ''uma popularização maior da modalidade''.

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