Sumotoris vivem dias de estrelas
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sábado, 03 de agosto de 2013
Rafael Souza<br> Reportagem Local 
No Japão, eles vivem como verdadeiras estrelas. Os sumotoris estão para os japoneses assim como os jogadores de futebol estão para os brasileiros. São ídolos, contam com apoio irrestrito do governo, têm inúmeros patrocinadores, lutas transmitidas em TV, ao vivo, para todo o país, e os eventos contam sempre com ginásios lotados.
Do outro lado do mundo, no Brasil, os adeptos do esporte mais popular japonês vivem uma realidade bem diferente. No país que reúne a maior colônia japonesa fora do próprio Japão, os sumotoris ainda buscam reconhecimento e sofrem sem o mínimo apoio de patrocinadores. Mas pelo menos por alguns dias dois sumotoris da Associação Kaiko, de Londrina, sentiram na pele o que vivem seus ídolos japoneses.
Foi na disputa dos Jogos Mundiais de Esportes não-olímpicos, que começou no último dia 25 e será encerrado hoje, em Cali, na Colômbia. Cássio Gomes, o Júnior, e Janaína Fernanda da Silva ficaram impressionados com o tratamento que os colombianos deram à seleção brasileira de sumô. "Foi uma experiência bem diferente, que a gente nunca imaginava que ia passar um dia. A gente não conseguia andar na rua, demos muitos autógrafos, coisa que eu nunca tinha feito na minha vida. Era algo fora do normal, vivemos dias de Ronaldinho", descreve o sumotori.
Para ele, o assédio se explica pela novidade. "Era a primeira vez que tinha um campeonato de sumô na Colômbia, então era uma coisa nova para eles ver aqueles atletas, 'todos gigantes', andando nas ruas e eles (colombianos) são pequenos. E tem também essa tradição do sumô, de grandiosidade, de status", falou o lutador, sem esquecer da empatia brasileira. "E também por sermos brasileiros. Quando a gente mostrava o crachá, e viam que éramos brasileiros, eles ficavam loucos", relembra, Júnior, que se divertiu com o assédio.
"Apesar de ter perdido a final, fui a única a ser chamada para a coletiva de imprensa junto com os presidentes do evento e da federação internacional de sumô, só por ser brasileira. Então teve todo um carinho especial com a gente, eles torceram muito pela nossa seleção", conta Janaína.
Saga
Mas mal imaginam os novos fãs a verdadeira saga pela qual os dois londrinense tiveram que passar para poderem ir à Colômbia. Para levantar os R$ 6 mil necessários para arcar com as despesas da viagem, a dupla foi obrigada a dobrar a jornada de trabalho durante alguns meses e ainda contou com o apoio da associação, que organizou algumas ações entre amigos para arrecadar verba.
"Sou personal trainer e tive que trabalhar das cinco da manhã até meia-noite, peguei trabalhos em outras academias, a Jana trabalhou até como 'baby sitter'. Até de segurança a gente trabalhou, tudo que aparecia a gente pegou. Tudo isso ainda tendo que conciliar com os treinos", enumerou Júnior. A dupla conseguiu classificação para o torneio internacional no Campeonato Brasileiro, no qual Janaína venceu a sua categoria, e Júnior foi vice.
Além de toda essa correria fora do dohyô, ele ainda teve que superar os limites do próprio corpo para poder competir. "Quebrei o pé esquerdo durante os treinos aqui e lutei o torneio todo com o pé quebrado. A Jana lutou com a virilha distendida, mas depois de tudo isso, nada ia nos derrubar", observou.
O esforço ainda foi recompensado com o segundo lugar conquistado por Janaína na categoria absoluto. Júnior foi o 15º entre os médios. Mas os resultados, no caso deles, não foi o mais importante. "Estamos muito felizes, pela forma com que tudo aconteceu, vai ficar marcado para sempre", disse ela. Quem sabe um dia, eles possam presenciar em seu próprio país tamanho reconhecimento...


