No país do futebol, o sumô, luta nascida no Japão, contagia atletas e também o público, que diante de uma disputa, mesmo sem conhecer as regras desse esporte, instantaneamente se envolve e torce para um dos lutadores. Conhecida como o esporte do imperador, o sumô é um dos maiores legados da tradicional cultura japonesa. Cheia de regras, têm espaço para a arte e a religiosidade, e exige muita disciplina de seus seguidores, que são elevados a condição de semideuses.
Aqui no Brasil o sumô ganha terreno, tem até sumotori em propaganda de televisão, tem gente que encontra no esporte apoio psicológico, outros dizem que machuca menos que o futebol, alguns gostam mesmo é de medir a própria força com o adversário.
''O sumô é desafio e superação, na minha categoria eu já lutei e venci um atleta com 200 quilos, na época eu pesava 100 e enfrentei o dobro do meu peso, por isso eu encaro o sumô como um conceito de vida. O sumô é força, garra, dedicação e honra e tudo isso cabe muito bem no meu dia a dia, onde tenho que ser uma pessoa justa e dedicada aos meus compromissos'', diz Cássio Joaquim Gomes, 18 anos, professor de educação física. Ele é treinador de todas as artes na Associação Kaiko e luta pela Academia Força, na categoria adulto peso médio.
O carteiro Alexandre César Santos de Santana, 25, ressalta que gosta do sumô porque não há lesões, ao contrário de outros esportes. ''Eu jogo futebol, mas o problema é que futebol machuca muito mais que o sumô, que na realidade não machuca. E para mim lutar sumô me traz um pouco de tudo, eu sinto orgulho e felicidade porque estou no meio de um pessoal que considero como se fosse minha família e sinto honra por estar representando Londrina nesse Campeonato Brasileiro'', explica o atleta, que luta pela Academia Tradição, na categoria adulto, peso médio.
Caio Cosme Gomes sonha com o título no Campeonato Brasileiro e a vaga no Mundial do Japão. ''Eu luto sumô já faz cinco anos e me sinto muito honrado de poder estar aqui. A participação nesse Campeonato Brasileiro é um sonho. Estou me preparando muito e tenho esperança de subir lá em cima e dar o melhor de mim, ganhar a luta para ir para o Japão'', disse o estudante, que luta na categoria infantil pela Academia Tigre.
Para a atendente de locadora Jacqueline Silva, 22, da academia Yama Sumô, o esporte mudou sua vida. ''Eu luto sumô porque quando eu subi no dohyô eu me identifiquei na hora. Na época estava sem saber o que fazer e quando entrei aqui foi uma revolução na minha vida. Não tenho palavras para expressar, o sumô é puro sentimento'', disse a atleta. ''No sumô não importa se você ganha ou se você perde, e nem a idade que você tem. O que importa é subir no dohyô'', completa Sisneide Aparecida Silvestre de Paula, 37.
Janaína Fernanda Silva, 18, diz que luta com o coração. ''Eu sempre gostei de esporte e fui convidada pelo Cassiano para lutar sumô, eu gostei e não parei mais, porque eu gosto de lutar, eu luto com o coração, e para uma mulher se dedicar a uma luta é preciso ter vontade e muita coragem. E nesse momento ir para o Campeonato Brasileiro de Sumô é como se a gente estivesse indo para uma Olimpíada'', conclui. (M.A.A.)

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